O real potencial da faculdade

Como você imaginava a faculdade quando estava no ensino médio? Um lugar onde você vai ver apenas o conteúdo que te interessa? Onde os professores vão ser mais capacitados para lhe dar o conteúdo no nível certo de especificidade e utilidade? O lugar onde você estuda menos e consegue ter mais tempo para sair?

Todos descobrimos que não é bem assim, tem muita coisa que não é bem como nós pensávamos e muitos dos problemas de motivação da escola permanecem para a faculdade. Mas muitos esquecem de algumas diferenças que tornam o ambiente da faculdade muito melhor que o de qualquer escola:

Agora quem traça as linhas é você!

Pense bem, é um momento oportuno: você acabou de passar por um grande desafio (vestibular) portanto por um certo tempo a pressão social diminui, você agora está num mundo onde nem todo mundo estuda a mesma coisa (enquanto tem alguém aprendendo a atender um animal tem outra pessoa aprendendo a construir um prédio) e os horários tendem a ser mais flexiveis(não estar na sala de aula da universidade tem um peso bem diferente de não estar na sala de aula na escola), isso sem mencionar o fato que você está atingindo a maioridade e portanto começa a ter mais independência. Por essas e muitas outras características, grandes inovações surgem das faculdades ao redor do mundo, inclusive aqui no Brasil.

Entretanto, muitos vemos, mais uma vez, que não é bem assim. Por mais motivos que você dê, o ambiente não é tão efervescente assim e as mudanças dão mais trabalho que o esperado para acontecer. Atribuo isso a mudanças que precisam ocorrer na mentalidade do pessoal, são muitas, não conheço todas, mas participei de vários movimentos universitários e acho que algumas das que ocorreram comigo são importantes.


Meu primeiro passo fora da graduação foi no Movimento Empresa Júnior(MEJ para os íntimos). Tentei mais de uma vez para conseguir passar no processo seletivo do CITi, EJ do meu centro, e atribuo minha entrada a algo que percebi só na segunda tentativa:

Muita gente acha que precisa de oportunidades para se tornar uma pessoa melhor, mas, para boa parte dessas oportunidades, você precisa ser uma pessoa melhor para entrar nelas

Pense bem, esse é um pensamento poderoso que eu ainda hoje reflito sobre (Não são minhas palavras, são de um grande mentor que encontrei dentro do MEJ). Ele fala de agarrar oportunidades, algo que nos é repetido em discursos motivacionais por todo lado, mas ele atenta para o fato que muitas vezes deve existir uma transformação prévia à oportunidade, não somente algo pós-oportunidade. É uma tecla bastante importante que vale a pena ressaltar: não existem sucessos e fracassos, há apenas resultados.


Depois de um certo tempo na minha EJ eu me candidatei a diretor e a outra instância do MEJ (trabalhei na federação do meu estado ajudando outras pessoas a criarem as suas empresas juniores), fui bem envolvido com o movimento e atribuo muito do que eu sou hoje ao MEJ, respondi por várias vezes que achava que o MEJ era a melhor oportunidade dentro da universidade para qualquer pessoa, já hoje acredito mais que:

Não existe oportunidade perfeita, muitas vezes você precisa de várias oportunidades para se achar e elas muitas vezes são completamente diferentes uma da outra.

Existem e sempre vão existir oportunidades que um amigo vai dizer “caramba! isso é tua cara!” e ela vai agregar pouco, assim como outras que você vai entrar meio balançado, se motivar no meio e aprender bastante. O segredo é tentar o máximo possível de oportunidades, sempre melhorando suas escolhas e tendo a humildade de sair fora quando perceber que errou na escolha. Não tem bronca errar, a bronca é insistir no erro e empurrar as coisas com a barriga, já dizia Eric Ries: Erre mais, erre mais rápido e erre melhor(sempre aprendendo).


Durante esse tempo de CITi/FEJEPE eu fui chamado por um amigo para participar da organização do 1o TEDx universitário do Norte e Nordeste, o TEDx UFPE. Apesar de muita correria e aperreio, apesar do trabalho ser diferente e desafiador ele me trazia uma paz interior maior, como se a abrangência maior dos resultados e a mudança que eu sentia que o evento iria causar nos participantes me motivasse. Eu não sabia na época o que era, mas hoje eu sei que naquele mix de iniciativas que eu estava envolvido eu achei meu propósito:

As iniciativas ajudam a procurar seu propósito, é difícil definir mas você vai saber quando achar.

Simon Sinek explica bem no seu TED, um dos mais vistos de todos os tempos, que achar o “Por que” das suas ações, assumir ele e saber externá-lo bem é um dos maiores potencializadores de resultados possíveis. Entendam que não é simplesmente trabalhar com o que gosta (todo mundo gosta de muita coisa, tem várias paixões, mas o propósito é algo que permeia um pouco todas elas), essa talvez seja a mensagem mais críptica do texto, mas acreditem, depois de achar o propósito e alinhar as iniciativas com ele, tudo fica mais fácil.


Além das acima eu estava empreendendo com uma startup em estágio bem inicial e preparando algumas coisas para o meu intercâmbio, entrar em tantas iniciativas teve seu peso. Meu rendimento na graduação caiu bastante, eu fiquei muito estressado e outras coisas não tão legais aconteceram, eu literalmente cheguei no meu limite. Só então eu percebi que:

Você não sabe seu limite até que você chega nele, bate nele, vê que não consegue fazer mais e volta. Mas esse seu ‘bater e voltar’ empurrou seu limite um pouco mais pra longe, você agora aguenta mais

Sair se comprometendo com tudo não gera um resultado tão legal, mas você só vai saber chegando lá. Hoje eu faço muito mais coisa ao mesmo tempo que naquela época mas sei conciliar melhor(alinhado com o propósito também fica mais fácil), com meu baque eu aprendi a dizer não para algumas coisas e saber meus limites e como ultrapassá-los, mas não foi sem custo.


Não espero que todos os meus pensamentos sirvam, na verdade espero que alguns não sirvam! Assim você vai lá, dá a cara a tapa e procura seu próprio entendimento da situação. Espero, entretanto, que você lembre do tema que permeia todos eles: Sair da zona de conforto e tentar algo novo é essencial para descobrir o real potencial da faculdade. Espero que você lembre do que eu falei mas vá viver o que leu, lembrando sempre que:

Se for dizer DIGA, mas DIGA com jeito
Se for mudar MUDE, mas MUDE direito
Se é AMOR, AME e que seja perfeito
Tem que errar, ERRE mas TIRE proveito
CANSEI
de quem só fala e vive de frase de EFEITO
- Clarice Freire, em seu sensacional livro Pó de Lua
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.