Nem sempre que o Universo conspira a seu favor é para fazê-lo feliz

Havia essa garota por quem eu fui apaixonado por anos, desde o tempo do ensino fundamental. Era uma paixonite infantil; já havíamos “ficado” algumas vezes. Por muito tempo eu desejei ela ao meu lado, mas eu mudei de cidade e tive que tentar esquecê-la.

Nunca acreditei que voltaríamos a nos encontrar. No entanto, depois de anos sem nos vermos e depois de ela ter se casado e se separado — e eu ter mudado de cidade duas vezes —, acabamos ficando juntos. Saí do Exército, larguei a faculdade e voltei para a cidade onde fui criado e onde ela encontrava-se. Moramos juntos por um ano e meio. Como em qualquer relacionamento, no começo tudo era maravilhoso. Era tudo novidade. Tudo paixão.

Com o tempo começaram algumas discussões idiotas, brigas mesquinhas, mas que acabavam bem. Porém, chegou um momento em que eu estava estressando-me com o dia a dia. Acordar cedo, pegar dois ônibus, ir trabalhar, ir para o curso, pegar mais ônibus. Comecei a não ver graça em mais nada e uma rotina se formou. Fui abatido. Comecei a ficar de saco cheio de tudo. Coisas mínimas me incomodavam. Eu já não a elogiava mais, não reconhecia suas belas atitudes. O que mais me incomodava era que eu sempre tinha que estar instigando ela buscar o próprio crescimento — mas eu não percebia que ela estava tão incomodada com a rotina quanto eu. Às vezes eu me sentia desiludido. Após um tempo eu aceitei que eu estava mais apaixonado com a ideia de estar com ela do que realmente estar apaixonado por ela.

Por mais que ela se esforçasse para nos manter unidos eu me fechava e nos afastava cada vez mais. Eu sabia o quão ruim eu estava sendo — sabia que eu tinha que mudar. Mas não mudei.

Então veio a separação. Uma parte de mim já vinha ansiando por isso a certo tempo, como algo melhor para os dois. Porém foi aquela separação enrolada. Mantínhamos contato. Às vezes nos encontrávamos. Como isso estava nos impedindo de seguir em frente cortamos contato completamente.

Claro que nós dois sofremos durante todo esse processo. Teve a fase de negação e a aceitação. Mas enfim, acabou.

Eu aprendi muito com essa relação. Aprendi principalmente sobre mim. Conheci melhor meus defeitos e descobri o quão baixo e egoísta eu posso ser. Eu saí com alguns traumas; acredito que todos tenham um ou mais traumas de relacionamentos anteriores. O meu maior trauma é o medo de fazer outra pessoa infeliz. Lembrar os meus momentos de ciúmes, os momentos em que eu ficava brabo por coisas desnecessárias faz com que eu tenha um pouco de receio de me apaixonar novamente.

Faz mais de um ano desde que nos separamos e tenho muita certeza de que foi a melhor coisa que aconteceu a nós dois. E disso eu também aprendi que muitos dos nossos desejos podem se tornar reais, só para nos mostrar que nem tudo o que queremos é o melhor para nós ou para as pessoas ao nosso redor.