No edifício vivo

Se me permitem, quero dedicar este singelo texto, um poema — seria demais chamá-lo poesia — a todos os prédios que sofreram tanto no mês de maio de 2017.


Se quebram suas vidraças
Se arranham sua fachada
Se ferem suas paredes
O edifício sobrevive

O edifício é, antes de tudo,
um forte!

Os médicos garantiram.
 Não importa quem o ataque.
 Ele acordará manhã
 Vivo!

No edifício vivo
Ainda correm sinapses
entre as veias óticas

No edifício vivo
Ainda respiram
os ares-condicionados

No edifício vivo
Ainda bate ritmado
o som das teclas

É diante do edifício vivo que eu, sem conserto, morro.