Conectividade e diversidade

Entrevista interessante do Mark Zuckerberg à BBC, onde ele insiste em sua teoria de conectar o mundo, que foi o ponto de partida para a criação de sua rede social.

A ideia em si do Zuckerberg é super interessante, mas temos de considerá-la sob as condições ideais de temperatura e pressão, entretanto, no mundo real, infelizmente as coisas não funcionam assim tão redondinhas como na tela de um computador, escrevendo códigos e em conformidade com as simulações dos algoritmos.

O facebook trouxe ao mundo uma nova realidade tecnológica, um mundo realmente mais conectado, convergindo as pessoas para se agruparem em função de suas características comuns, isso trouxe algumas vantagens para as pessoas, por poderem se reconhecer no seu semelhante, desenvolvendo e compartilhando as ideias e os pensamentos que já tinham e defendiam.

Missão do facebook: fazer o mundo mais aberto e conectado

Já, quanto à diversidade, imagino que o facebook não tenha logrado êxito, se por um lado conseguiu integrar as pessoas em função do que têm em comum, por outro, com seu algoritmo segregador, conseguiu tão somente afastar a possibilidade de uma sociedade baseada na diversidade, pelo respeito às diferenças e discussão das divergências.

As declarações seguintes dadas na entrevista pelo CEO do facebook sobre esse tema mostra que a tendência é que não ocorram grandes mudanças na política da empresa diante dos posicionamentos raivosos que tomou conta da grande maioria das redes sociais, principalmente da maior de todas elas, que é o facebook, o que aumenta exponencialmente sua responsabilidade, até porque esse modelo de agrupamento é uma decisão, não fruto do acaso:

“Estamos atuando cuidadosamente porque nem sempre existe uma linha clara entre enganação, sátira e opinião.”

“Em uma sociedade livre, é importante que as pessoas tenham o poder de compartilhar suas opiniões, mesmo que outros achem que elas estão erradas”.

“Nossa atuação se focará menos em banir a desinformação e mais em trazer à tona perspectivas complementares e informação, inclusive com questionamentos sobre a veracidade dos itens, feitos por checadores de acontecimentos.”

O equívoco do criador do facebook se dá pelo fato de acreditar que opinião e manipulação deliberada têm o mesmo valor, uma coisa é uma pessoa postar algo que genuinamente e às vezes até ingenuamente acredita ser a verdade ou a sua verdade, outra é deliberadamente a política da rede social permitir que se compartilhe conteúdos falsos, difamadores e que propagam o ódio e a segregação, e ainda argumentar que caberá aos usuários da rede ter o discernimento para buscar informações complementares para fugir desse tipo de armadilha digital.

Essa tênue linha que separa enganação, sátira e opinião, citada por Zuckerberg, é que deve ser o foco de novos algoritmos das redes sociais existentes, fazendo com que sim, sejam banidas as entidades que têm o claro objetivo de manipular, mentir e enganar os usuários das redes, às vezes o politicamente correto é justamente o lado errado a se ficar, por se cruzar os braços ou lavar as mãos quando deveria se tomar uma postura mais ativa para combater o problema.

O facebook atingiu o seu objetivo primeiro de sua criação, que era a conectividade entre as pessoas, hoje aproximadamente 2 bilhões de pessoas compartilham parte de suas vidas na rede, suas ideias, opiniões e pensamentos, mas há as que não seguem esse padrão ético, e não conseguem resistir à tentação do poder de manipulação que uma rede com essas proporções pode oferecer, são 2 bilhões de pessoas que se conectam aos outros 5 bilhões, o poder disso é imensurável.

O próximo passo do facebook, baseado na conjuntura atual, deveria ser a promoção da diversidade, da inclusão social como premissa, da diluição do ódio, da eleição do diálogo respeitoso como referência, criar mecanismos que apenas agrupem pessoas em função de semelhanças só contribui mais para essa onda de ódio que infestou a internet.

No link abaixo a entrevista do Mark Zuckerberg à BBC.
http://www.bbc.com/portuguese/salasocial-38988781