PEC 241, é a PEC da Morte?

por Robson Lopes | 12 out 2016

A PEC 241 será o grande retrocesso do país, se alguém aqui viveu no período FHC comecem a achar que ali foi o paraíso, essa PEC terá o poder de arrasar o país. Como alguém em sã consciência pode achar que congelar gastos e investimentos, porque é isso que é a PEC, mas dizem que congelará tão somente gastos o que é não somente um eufemismo, mas uma mentira, que isso não impactará de forma avassaladora na segurança pública, na infraestrutura do país, na educação de nossos filhos e na saúde como um todo, isso mesmo, tanto a pública, quanto a privada.

Por que vai afetar a saúde privada também?

Ora, o que vai ocorrer com a PEC, a saúde pública que já é subfinanciada, essa conversa de que é mal gerida é para justamente tirar mais investimentos dela, nosso modelo de saúde foi inspirado no sistema britânico, no entanto lá, o orçamento deles é 4 vezes maior, para uma população quase 3 vezes menos, se souberem matemática básica verão como precisamos de investimentos, não há mágica ou se investe mais ou continuaremos com uma saúde pública de 5ª categoria.

Fica evidente, que nossa saúde pública, o chamado SUS, é subfinanciada, imaginem o que ocorre tirando investimentos necessários a sua melhoria? 
Isso mesmo, irá piorar a qualidade dos serviços, o que fará com que muitos, os que ainda podem, óbvio, fujam para os planos de saúde privado, cuja qualidade dos serviços deixa muito a desejar, são bonitinhos, mas ordinários, a infraestrutura é boa, mas a qualidade do serviço fica muito aquém, às vezes até da saúde pública, com a essa debandada dos usuários da saúde pública para a privada haverá um drástico aumento da demanda, e o que diz a lei da oferta e da demanda? Quanto maior a demanda, mais alto o preço.

Logo, hoje você pode pagar, mas quando a conta chegar, nem isso, então você terá que morrer na saúde pública mesmo, literalmente falando, porque será isso mesmo, a saúde privada ou a morte. Estou sendo drástico?

Então veja sua situação hoje, você tem seu plano de saúde, paga-o com razoável conforto, e já hoje, acha a saúde pública de péssima qualidade, o caos, o fim do mundo, agora multiplique isso por 10, tanto o valor que você paga em seu plano de saúde como a deficiência da saúde pública, esse será o retrato do futuro.

Não por acaso essa proposta de emenda constitucional-PEC é chamada de PEC da Morte, justamente porque é isso que ela irá causar, e o nexo causal será fácil de provar com a história e as estatísticas.

Viram que eu falei aqui apenas de um único ponto da PEC 241, que foi a saúde, mas isso se repetirá na educação, que cairá muito em qualidade, e muitos correrão para a educação privada e seus preços também explodirão, ainda temos a infraestrutura viária, a segurança pública, entre tantos outros serviços públicos que serão fortemente afetados, para pior, claro.

Se o Brasil estivesse já no nível de uma Suécia, por exemplo, poderia até ter ser menos ruim uma PEC como essa, mas ainda assim seria algo terrível, porque teria o tenebroso poder de acabar com a qualidade de seus serviços públicos, mas não, o Brasil precisa investir e muito para ter ao menos serviços básicos de qualidade, e o que se faz? Decide-se cortar todos os investimentos nos próximos 20 anos, e muita gente incauta, pobre e classe média, aplaudindo algo que tornará sua vida um inferno no futuro recente.

Ainda que essa PEC tivesse como objetivo de fato congelar tão somente os gastos por 20 anos, ainda assim seria muito, mas muito tempo mesmo, numa empresa seria como impedi-la de lucrar, crescer, ou melhor, abrir o caminho para sua falência. 
Mas não, a PEC não congela tão somente os gastos como mentem para você ao falarem dela, ela congela também os investimentos.

Porque, antes de implementar uma medida tão impactante como essa não faz cortes por exemplo em algumas mordomias dos políticos, ou que tal cortar os 4,5 mil reais de auxilio moradia dos juízes, as verbas de gabinete dos deputados e senadores? Que tal tirar o subsídio que muitos servidores públicos recebem para pagar seus planos de saúde, tirar os subsídios que muitos servidores recebem para custear a educação privada de seus filhos, ora, não estamos num período de sacrifícios, então que todos se sacrifiquem, especialmente aqueles que tem alguma gordura a mais pra cortar.

Que tal fazer uma reengenharia e ver onde tem mais funcionários que o necessário e onde há carência e remanejá-los?

Que tal uma campanha para de fato economizar, tanto energia, quanto papel, como todo material de consumo em todo o serviço público, com metas claras, indicadores precisos, criando inclusive sanções para quem não cumprir as metas.

Que tal criar meios para tornar o serviço público mais eficiente?

Essas medidas que falo aqui deveriam ser todas anteriores a uma medida desse porte, implantada sem discussão com a sociedade, leia-se sociedade como o conjunto da população brasileira, essa discussão deve incluir o plebiscito e o referendo, meios constitucionais pouquíssimos usados no Brasil mas que torna a Democracia de fato plena.

Debater com a sociedade não é colocar em discussão no congresso, debater é tornar a Democracia participativa, com o povo realmente opinando, não é telefonando para apresentadores de TV para explicar o que é uma medida, isso é coisa de governo pequeno, que governa para poucos, que quer influenciar quem tem poder de mudar nossas opiniões, assim foge-se do real debate que deve ser feito, que é com o povo.

Precisamos ter em mente que em 20 anos a mãe de muitos de nós já terá ido embora, nossos filhos já não serão mais crianças, muitos perderão a oportunidade de entrar na faculdade, outros perderão a qualidade de vida por não ter fácil acesso à saúde pública, caminhamos para um mundo de terra arrasada, e só há um meio de mudar tudo isso, uma revolta coletiva contra esse congresso que está traindo quem os colocou lá.

“Quando o Estado é injusto e ditatorial a desobediência civil é o único caminho”
Henry Thoreau

Acordem, ainda é tempo ou então viverão nos próximos 20 anos o mais terrível pesadelo.

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