Srs. gestores das grandes metrópoles brasileiras, estamos no século XXI

Frédérique Lahaye, diretor de habitação do governo de Delanoë:
“todos têm o direito à beleza e a viver em um belo ambiente e não é apenas o dinheiro que deve determinar quem vive (e) onde.”
Era isso, batalhar por toda a população, inclusive e principalmente a parte mais necessitada, que a prefeitura de Recife deveria fazer. Não lutar contra os que defendem uma urbanização mais justa e que atenda à cidade, e não aos empreiteiros e à elite econômica, estes não precisam de defensores, já possuem uma rede própria de proteção.
O que a prefeitura de Paris está fazendo para proteger as áreas da cidade e a população mais vulnerável do perverso processo da gentrificação era o que os últimos prefeitos da cidade do Recife deveriam ter feito para proteger uma área como a do Cais José Estelita e tantas outras tão importantes para a cidade, à sociedade e à população carente da cidade. Ou seja, deveria mapear os endereços de maior interesse para a paisagem da cidade, para os sítios históricos existentes, para promover a igualdade do morar, mas ao que parece o processo hoje é justamente o inverso, a prefeitura une-se aos empreiteiros para lutar contra quem defende a cidade. No caso específico do Recife Antigo, mais precisamente do Marco Zero, essa gestão parece patrocinar o processo de gentrificação, a segregação social, transformando um ambiente que sempre foi múltiplo e democrático em um espaço que atende apenas à ínfima parte da sociedade, por coincidência, aquela que mais pode pagar.
A frase postada lá em cima, extraída do texto principal, é uma provocação aos gestores das grandes cidades brasileiras, para entenderem qual é de fato seu papel como um gestor público de metrópoles com grandes desigualdade social e déficit habitacional.
http://www.archdaily.com.br/br/759927/paris-anuncia-medidas-radicais-para-impedir-gentrificacao