Crítica: Batman vs Superman : A origem da Justiça ( Batman vs Superman: Dawn of Justice)

A tarefa de Batman vs Superman (doravante chamado nesse texto por BvS) nao era das mais fáceis. Servir como sequência do controverso Man of Steel, alem de servir de prelúdio para o filme da Liga da Justiça e ademais, inaugurar o universo da DC nos cinemas. Muita coisa para um filme só? Sim, e devo dizer que o filme quase acerta em todas as frentes. Quase.
Dando sequência aos acontecimentos mostrados em Homem de Aço, mas agora dando vez para o ponto de vista dos civis ( Se considerarmos Bruce Wayne um civil) , o longa começa mostrando além da origem (novamente) do Batman, em um daqueles clipes estilizados característicos de Zack Snyder, as consequências da batalha de Metrópolis para o Superman, pelo menos em tese, pois só após um atentado em território africano é que o filho de Krypton começa a ter a sua “divindade” questionada pelo Congresso norteamericano.
A trama evolui de maneira mais cadenciada em sua primeira metade, mostrando a dicotomia entre os dois personagens títulos e seus alter egos de modo a cimentar o conflito que virá, nesse meio tempo, somos apresentados ao antagonista do filme, Lex Luthor ( interpretação afetada de Jesse Eisenberg) e Diana Prince, ela mesma, a Mulher Maravilha.
Até aí a trama, mesmo um pouco arrastada, vai bem, mas no afã de mostrar tudo que se propõe, o roteiro desanda e quase derrapa. Os grandes problemas do filme transitam ainda pela sua montagem confusa e direção. Não adianta, Zack Snyder é um expert em transpor quadrinhos em frames, mas sua sutileza equivale a de um tanque em uma passeada budista.
Exemplo claro disso no longa é a perseguição que o Batman emprega com seu Batmóvel, que de tão confusa, para o espectador mais desatento, se perde a noção espacial do que está acontecendo na tela. O filme, que de um ritmo lento, porem bem trabalhado, se apressa em seus dois últimos terços e meio que se atropela. A primeira aparição do Flash e os teasers imbutidos dos membros da Liga não me deixam mentir.

Quanto às atuações, os prognósticos pessimistas sobre Ben Affleck não se justificam, embora se questione a natureza mais violenta que outras versões do Morcego, o visual e a atuação dão ensejo para expectativas positivas sobre os filmes solo do Cavaleiro das Trevas.
Gal Gadot é outra que pode se dizer que calou os críticos, tanto como Diana , que exala charme e como Mulher Maravilha, a israelense mostra a que veio, e o fato de aparecer pouco em tela é outro ponto negativo de BvS.
Henry Cavill contrai o maxilar e franze a sobrancelha, apenas. Jesse Eisenberg, histriônico e cheio de tiques, interpreta um vilão que não é bem o Lex Luthor dos quadrinhos. E Amy Adams, ótima atriz, tem que defender uma Lois Lane de atitudes injustificáveis dentro da historia (Jogo a lança, pego a lança e me afogo… Por que mesmo?)
Pensando em BvS como filme isolado, ele peca em muitos aspectos, porém nem tudo é desgraça. A trilha sonora é bem marcante, Hans Zimmer e Junkie XL criaram temas muito bons, principalmente para Luthor e Diana. O visual, como dito antes, é fantástico, e a fotografia de Larry Fong, sombria, ajuda a compor o mise en scene que o filme necessita. As paletas de cores, saturadas e frias, dão o tom da proposta da Warner/ DC de criar um universo mais sério para os seus heróis.
No cômputo geral, BvS é um filme irregular, que se sustenta muito mais pela iconografia de seus protagonistas que por suas qualidades como filme. Suspeito, que a depender do desenvolvimento do Universo DC nas telas de Cinema, ele nao resista ao teste do tempo, mas estou apenas conjecturando. O filme vêm sendo abraçado pelos fãs e detonado por grande parte da crítica, e isso parece que é a receita ideal para a longevidade das franquias,então, aguardemos.