O que dizem os planos de governo dos candidatos à prefeitura de Fortaleza


Internet sem fio em toda a cidade, a criação de um batalhão policial extra partindo da Guarda Municipal, e pasmem,o retorno da disciplina de Educação Moral e Cívica na rede municipal de ensino são algumas das promessas dos oito “prefeituráveis” (Candidato a presidente é presidenciável, logo, a prefeito é esse neologismo que criei) nessa corrida eleitoral de 2016, uma das mais desesperançadas dos últimos tempos.

A insossa campanha de 2016 tem diversos fatores, sendo uma delas a reforma eleitoral que entrou em vigor nesse pleito uma delas, o menor tempo de horário eleitoral e a impossibilidade de empresas doarem, pelo menos em tese (não é, Dr. Roberto Cláudio?) fazem dessa disputa muito mais acanhada que em outros anos, então, deveríamos crer que o grande embate seria no campo das ideias, certo? Errado. E muito disso se deve ao fato do pouco interesse que nós eleitores temos em conhecer o plano de governo dos candidatos, ou seja, o modo de cada um pensar a cidade ideal de acordo com as suas convicções (ou arranjos políticos)

Pensando nisso, e inspirado por uma matéria do site VICE, onde eles apresentaram um resumo dos planos de governo dos “prefeituráveis” da Paulicéia Desvairada, aqui vai também uma síntese do que propõem os sete homens e a Lôra que buscam serem os mandatários maiores dessa querida urbe.

Capitão Wagner (PR)

A serenidade do olhar de quem vendeu muito dindim para estar aqui

O capitão só pensa naquilo. E quando digo aquilo, é claro, estou falando de segurança pública. Embora, por determinação constitucional, a competência do prefeito para o combate da violência seja limitada, o homem do João XXIII, pai da Rayanny e do Felipe diz que vai melhorar o setor. Sua principal proposta é a convocação dos aprovados no último concurso da Guarda, e que essa atue armada. Ademais, propõe a criação do RAIO Municipal, um patrulhamento feito por moto, assim como é feito com a divisão do mesmo nome da Polícia Militar.

Levando em conta os lamentáveis episódios que envolvem a Guarda Municipal, como abuso na retirada de feirantes da José Avelino e numa controversa ocorrência na Praça dos Leões , é difícil mensurar como seria a atuação de mais um órgão repressivo, e agora armado, atuando em Fortaleza. O plano do militar reformado e atual deputado ( Que se faça justiça, é bem atuante) fala de um plano de integração de monitoramento, mas suas propostas em outros campos são bem genéricas. A implementação do Passe Livre estudantil parece ser a principal delas. O apoio de Tasso Jereissati e Eunicio Oliveira demonstram que realmente “o capital está com o capitão”

Gonzaga (PSTU)

Gonzagão mandando um beatbox sinistro em mais uma ação do movimento sindical

As pautas do PSTU são da velha esquerda de guerra, estatização, diminuição da jornada de trabalho para 36 horas ( Embora saibamos que alterações na legislação trabalhista advém do Congresso Nacional), a desmilitarização da PM (outra competência do Legislativo Federal), e outras deliciosas utopias que ficam bem no campo das ideias, mas a ferro e fogo, seriam de dificílima execução, ainda mais se pensarmos no escopo de competências reduzido que um prefeito possui.

O candidato do PSTU ainda defende a criação de um grande Conselho Popular, ao qual a Câmara dos Vereadores seria subordinada, no melhor estilo soviete. A cada ciclo eleitoral que vem, o que mais pode se inferir é que o PSTU se candidata mais para marcar posição, mostrar que existe do que propriamente vencer a eleição. O próprio partido crê que as eleições são um jogo de cartas marcadas, e eles não foram convidados para a jogatina.

Heitor Férrer (PSB)

Heitor ensaiando a sua pose de Usain Bolt

Heitor Ferrer saiu quase escorraçado do PDT, no qual era uma bandeira histórica no estado, para se filiar ao PSB, muito em virtude da chegada dos Ferreira Gomes na agremiação de Leonel Brizola. O deputado estadual, tem como principal foco se oferecer como alternativa “aquilo tudo que aí está” e não raro se vende como alguém sem padrinho politico ou envolvimento com o Leviatã dos políticos no dia de hoje, a Operação Lava Jato. No entanto, seria interessante ver alguém em um debate perguntar porque Heitor buscou por tanto tempo o apoio de Tasso Jereissati, que na tribo do Ceará é o maior cacique de todos.

As propostas de Heitor que mais chamam a atenção são o “Saúde em Casa”, que se trata na verdade um unidade de atendimento móvel, e a criação de um cinturão digital em Fortaleza que culminaria na distribuição de WiFi em toda a cidade, essa ideia foi implementada com sucesso em cidades de menor porte, mas com uma crescente população de dois milhões de habitantes, fica difícil saber como a execução da ideia se daria em Fortaleza. A impressão que fica, é de que Heitor perdeu sua grande chance em 2012, quando contrariando as pesquisas, beliscou o segundo turno, perdendo a vaga para o ̶P̶i̶n̶g̶u̶i̶m̶ Roberto Claudio.

João Alfredo (PSOL)

João Alfredo, sendo convidado por um atencioso “guardinha”, a experimentar os produtos Jequiti

O candidato psolista conta com o maior plano de governo dentre os candidatos fortalezenses, são NOVENTA E UMA PÁGINAS, onde são apresentados conceitos que norteiam o Partido Socialismo e Liberdade, termos como tessitura, resistência criativa, convivialidade e uma crença meio astrológica de que o município se conecta com o interplanetário (??), fazem parte do conteúdo programático extenso do ex-petista ( vale ressaltar que, em média, os planos de governo tem entre dez e quinze páginas)

O eixo das propostas giram em torno da ecologia e suas implicações, a iluminação de todos os prédios públicos pertencentes ao Município seria feito por meio de painéis solares em quatro anos de mandato, e a inclusão da Educação Ambiental como matéria do currículo do Ensino Fundamental, para ficar em dois exemplos. Outro campo bem contemplado nas propostas de João Alfredo é a proteção das minorias, chamando a atenção na ideia de estabelecer uma parte das vagas de estágio para jovens GLBT nos órgãos municipais.

Luizianne Lins (PT)

A Lôra, ao receber a notícia de que Camilo Santana quer mesmo é um Pinguim para chamar de seu

Dona do que talvez seja o plano de governo mais genérico de todos os candidatos, Luizianne Lins se vale, pelo que pudemos ver em sua propaganda de rádio e tv, dos louros ( perdão pelo trocadilho), de sua gestão que durou oito anos. Embora as taxas de rejeição tenham beirados os 40% no final do seu mandato, a “Lôra” gosta mesmo de relembrar as suas conquistas, e ao que parece, começa a bater com mais força nos adversários, sobretudo no Capitão ̶A̶m̶é̶r̶i̶c̶a̶ Wagner.

Dois pontos interessantes nas propostas de Luizianne são a ampliação da rede CUCA, fruto do seu primeiro mandato, e a retomada da Coordenadoria de Políticas para as Mulheres, que, ao menos a julgar pela sua página no Facebook, foi desativada em 2012. Com a retomada desta, seriam criados centros de acolhimento para mulheres que sofrem violência, a conscientização pelo parto humanizado, dentre outras ideias. Outros pontos são tratados com mais superficialidade, como a educação e saúde.

Roberto Cláudio (PDT)

A mente pode não ser brilhante, mas a careca é.

Se o programa de João Alfredo se estende, o de Roberto Cláudio se encurta (dizem as más línguas que é por conta da estatura do candidato cof cof), são apenas cinco páginas, com um breve relato das dificuldades de gerir uma metrópole como Fortaleza, e em seguida, o elencamento de alguns tópicos nos temas da habitação, segurança, saúde e cultura. Não existe nenhuma proposta mirabolante, e nem maiores aprofundamentos aqui, é tudo tratado de maneira bem sucinta mesmo.

Os pontos que podem ser destacados, são a implementação do infame plano de governança Fortaleza 2040, que pouco contou com a participação popular que anunciava, e a regularização fundiária de áreas consideradas clandestinas, o que se espera dessa última, é que atenda de fato as populações carentes, e não à lógica do capital imobiliário.

Ronaldo Martins (PRB)

Ronaldo Martins junto com Savio, ex-Flamengo e Luizianne Lins

O candidato ̶d̶a̶ ̶U̶n̶i̶v̶e̶r̶s̶a̶l̶ do PRB e deputado federal, é aquele que tem talvez o mais mirabolante dos planos de governo de todos os pleiteadores à cadeira de prefeito, suas propostas tem nomes pomposos e assim planeja moldar Fortaleza à visão de sua agremiação política, que se intitula alternativa a tudo que que se apresenta diante do “carcomido quadro político”.

Alguns dos projetos de Martins tem como nomes: Incubadora Municipal de Empresas, que visa a criação de “start ups” e voltada para o empreendorismo, o Gabinete Itinerante, que busca o deslocamento dos dirigentes municipais, prefeitos e secretários, para despachar nos bairros, o enxugamento da máquina estatal (apresentar porcentagens nesse caso é sempre bom, aqui ficamos nos 30%), o que contrasta com a criação da Secretaria de Mobilidade Urbana, e, o retorno triunfal da disciplina escolar preferida dos militares, a Educação moral e cívica, criada na Ditadura Vargas e usada como, essa sim, doutrinamento no Regime Militar, vale questionar quais preceitos norteariam o componente curricular dessa matéria no Ensino Fundamental.

Tin Gomes (PHS)

Silva ou Beiçola: Eis a questão!

O programa de governo de Tin Gomes, o primo pobre dos Ferreira Gomes para quem não sabe, se sustenta em três grandes eixos o humanismo e solidariedade(que devem ser a palavras escolhidas para justificar a sigla do partido) e o empreendedorismo, ao longo de dezoito páginas, o candidato apresenta algumas boas ideias.

No que tange à promoção da cultura, a criação de um “Corredor Cultural” e de uma “Escola do Humor”, que nesses casos, privilegiariam também a verve turística de Fortaleza, e na política de assistência social, a criação da “Centro de Referência da Pessoa em Situação de Risco”, embora não delineie o que seja bem isso.

Então, o que se apreende dessa exploração aos conteúdos programáticos dos candidatos, é esse exercício de fiscalização constante que o eleitor deve ter dos mandatários em seus mais diversos níveis, seja ele municipal, estadual, ou federal, as ferramentas existem, está tudo no site do TSE, basta um pouco de paciência e interesse de quem deveria ser os maiores interessados.

A outra conclusão é que no bom cearensês, TAMO É LASCADO!

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