Pra internet ser legal de novo

Internet I love you, but you’re bringing me down

Esse texto é grande e cheio de ideias, então take your time e não desista de mim.

Esses dias me perguntaram qual era a minha maior nostalgia da adolescência e na hora pensei em três coisas: chegar da escola sexta-feira, dormir a tarde toda no sofá da sala e acordar pra assistir Malhação; ficar olhando os meninos bonitos da escola junto com a minha melhor amiga numa época em que meninos (bonitos ou não) ainda não faziam parte das nossas vidas; e entrar na internet. As duas primeiras saudades são compreensíveis e autoexplicativas, mas a terceira surpreendeu até a mim, que sou dona dela.

Li em algum lugar que existem dois tipos de pessoas: as que anunciam “vou entrar na internet” e as que dizem “vou sair da internet”. Eu adorava me encaixar no segundo grupo, o grupo das pessoas para quem sair da internet era algo tão extraordinário que merecia um anúncio formal. O grupo das pessoas que moram na internet era um lugar metafórico que eu adorava (adoro?) pertencer, mas já tem um bom tempo que o meu maior desejo tem sido sair da internet, ser a pessoa cuja ação está em entrar, não em concentrar forças para sair.

Quando escrevo que sinto saudades de entrar na internet, quero dizer que sinto saudades de quando a internet era um mundo paralelo que existia dentro do meu computador, dentro do meu quarto, para onde eu ia depois da escola falar com pessoas, aprender coisas e ser alguém que eu não era na escola ou em casa, mas queria muito ser, sentia que eu poderia ser. A internet, para quem teve a sorte de chegar aqui quando tudo ainda era mato, era esse espaço fervilhante de possibilidades, com muita liberdade e pouca regulação, de um jeito que às vezes eu não conseguia acreditar que era possível. Ainda lembro do dia em que colocaram banda larga na minha casa e eu passei umas 12 horas na frente do computador, montando bonecas no Dolls, baixando músicas, mudando o layout do meu blog, sem conseguir acreditar que eu poderia ter acesso ilimitado àquele mundo inteiro, que era bem menor do que o mundo ao qual temos acesso ilimitado hoje, mas que já era arrebatador para mim, então com 11 anos.

“Como isso é PERMITIDO?”, eu pensava, como se já soubesse que aquele sonho não fosse durar pra sempre.

No seu editorial de janeiro na Rookie, a Tavi Gevinson compara a internet ao conceito de utopia, aquele criado por Thomas More para definir uma sociedade ideal, localizada numa ilha imaginária, cuja característica definidora é não existir. “(…) um espaço que não é físico em que podemos ser quem quisermos e dizer o que quisermos, aparentemente sem consequências; um lugar em que um pensamento ganha o impacto de uma ação, literalmente pelo ar”, ela escreve. Pra mim essa associação faz sentido porque me lembra de algo que sempre imaginei: que a internet era boa demais pra ser verdade, ou talvez seja boa demais para nós e por isso jamais poderia durar por muito tempo em seus antigos moldes, fadada a reproduzir nossos piores vícios em cima de uma estrutura que parecia nascida das nossas melhores virtudes.

Ou, como disse minha amiga Clara Browne, a internet é um experimento social que deu errado.

Se tem uma coisa que acho que todos nós podemos concordar nesse início de ano é que a internet virou um lugar ruim para se viver. É nisso que penso quando luto para desativar o wifi do meu celular antes de dormir depois de mais um dia de experiências online ruins, sentindo que perdi mais tempo do que deveria encarando meu celular sem fazer nada além de rolar a tela e acumular angústias existenciais.

Penso em possíveis furos que podem encontrar em algo que escrevi ou publiquei e como eles podem ser usados para que pessoas que não me conhecem concluam que sou uma pessoa ruim, insensível, preconceituosa, desumana, mal intencionada, omissa. Penso em tudo que deixei de falar, os temas sobre os quais não me posicionei, aquela notícia que eu só li a manchete e não sei direito do que se trata, mas deveria. Lembro que o alcance daquela página que administro voltou a cair e preciso resolver isso. Será que eu me exponho demais? Qual a minha opinião sobre o último texto sobre o Woody Allen? Cachorros resgatados e gatinhos que precisam de cirurgia pedem ajuda em textos escritos em primeira pessoa e isso sempre me dá vontade de chorar. Your fave is problematic. Uma mensagem visualizada e não respondida há mais de seis horas. 30 e-mails para responder e uma pasta com mais de mil mensagens acumuladas e não lidas, que não consigo excluir porque sinto que posso precisar delas um dia. Acho meu quarto muito bonito com as luzes de natal acesas e resolvo tirar uma foto.

Me sinto ridícula por tudo isso e concluo, mais uma vez, que essa relação não está funcionando e preciso mudar, juro que vou mudar, mas tudo começa de novo no dia seguinte quando, distraída, pego meu celular enquanto tomo café da manhã e abro o Twitter.

A Tavi coloca os smartphones como parte essencial dessa transição de um mundo em que online e offline eram coisas distintas para esse de agora, com os dois universos cada vez mais misturados. É algo que acho fascinante e aterrorizante na mesma medida, coisa que jamais vou admitir pra um adulto — o tipo de adulto fatalista que precisa classificar a internet como algo bom ou ruim, e diante de qualquer controvérsia sempre vai decidir que ela é ruim — assim como não vou admitir que meu iPhone foi provavelmente a melhor e a pior coisa que me aconteceu nos últimos anos (sabe, dentre outras coisas).

Eu fui a pessoa que memorizava coisas para tuitar quando chegasse em casa da escola ou da rua. Eu era a prima pidona e chata que sempre pedia o iPod do meu primo emprestado pra olhar meu blog ou meus e-mails, mesmo que ninguém me mandasse e-mail, já que eu tinha 15 anos. Não era sobre a função, mas só porque era possível, da mesma forma como meu pai adora explorar o GPS do celular mesmo que essa seja uma das coisas mais básicas de qualquer aparelho (e completamente desnecessário em Uberlândia). Acho que sinto saudades de entrar na internet quando era adolescente porque a adolescência foi a última fase da minha vida em que não havia um celular com o mundo inteiro dentro do meu bolso.

“(…) sua crescente presença nos nossos cotidianos criou o estado de irrealidade não apenas mais acessível, mas também muito difícil de resistir. Mais do que oferecer uma sombra da realidade, essas plataformas moldam a realidade. Elas não são apenas canais para nossos sentimentos e experiências; elas são catalisadoras para o que sentimentos e vivemos, como nos sentimentos e vivemos, e nossa capacidade cada vez menor de processar isso tudo. O que compartilhamos nas redes sociais não desaparece no vácuo, mas aumenta o engajamento das plataformas e faz delas mais rentáveis — até as críticas são aditivos para as forças que queremos combater.” — Tavi Gevinson, com tradução e destaques meus.

A forma como meu relacionamento com a internet estava afetando o funcionamento da minha cabeça e minha percepção das coisas começou a me incomodar muito ano passado. Foi quando eu comecei a trabalhar em tempo integral com redes sociais e nos primeiros meses isso me dava um cansaço enorme que não era pelo esforço do trabalho em si, mas pelo que ele estava fazendo comigo. Foi também o ano que o Valkirias mais cresceu e eu me sentia na obrigação de saber sobre tudo, o tempo inteiro, numa realidade em que esse “tudo” foi desde denúncias diárias de casos de assédio sexual a figurinos inapropriados para heroínas do cinema, passando por propostas de lei para limitar ainda mais nossos direitos reprodutivos. Foi um ano em que algumas coisas que eu queria muito não deram certo e estar online era um lembrete constante desses fracassos, ao mesmo tempo em que funcionava como um modo de escapar deles.

Mesmo nesse estado de exaustão, percebi que meu celular era a última coisa que eu mexia antes de dormir, e a primeira que eu pegava quando acordava. Foi também o ano em que mais tive enxaqueca e crises de tendinite no braço direito, o que segura o celular e digita utilizando o polegar opositor.

Ano passado passei dois meses me preparando pra um processo seletivo, estudando e escrevendo, e percebi como minha atenção tinha mudado e estava afetando esse processo, interferindo em algo que sempre acreditei ser um grande trunfo meu, que é a minha capacidade de passar horas imersa em textos cabeludos e tirar alguma conexão e sentido deles. Em abril visitei uma exposição e mesmo não sendo o tipo de pessoa com fortes opiniões sobre fotos em museus, fiquei incomodada com o modo como éramos conduzidos de uma atração para outra só com o tempo de tirar uma foto e seguir em frente. E se a foto não ficasse boa, como nenhuma das minhas ficou, ou eu não quisesse tirar fotos, como eu desisti de tirar na metade da visita, eu teria realmente visitado aquela exposição?

Essas inquietações foram bem contempladas pelo livro Bored and Brilliant, da jornalista Manoush Zomorodi, recomendação certeira da Letícia, da femrecs. Como o título sugere, o livro fala sobre a importância do tédio pra dar ao nosso cérebro preciosos momentos de stand-by em que, uma vez livre de luzes, estímulos e notificações, ele pode se dedicar a criar soluções, ter ideias criativas, navegar de forma mais profunda sobre o que pensamos de nós mesmos e do mundo, tudo isso ali por debaixo dos panos, enquanto a gente toma banho, dobra roupas, ou dá uma volta no quarteirão sem fones de ouvido. O que a Manoush percebeu foi que a tecnologia estava ocupando todos esses nossos pequenos espaços de tédio e que isso estava afetando nossas vidas de um jeito bem dramático.

O livro é uma versão estendida da investigação que começou no Notes To Self, podcast sobre tecnologia apresentado pela jornalista. Ao final de cada capítulo ela propõe um desafio com o intuito de nos ajudar a repensar o espaço que a tecnologia ocupa nas nossas vidas e também a enxergar como podemos fazer um uso mais ativo e consciente dessas ferramentas. Eu estava tão no meu limite que me vi disposta não só a cumprir as tarefas (que vão desde passar um dia sem tirar fotos até deletar aquele aplicativo que suga toda a sua energia — o meu é o Twitter — nem que seja por um dia), mas também a passar o recesso de fim de ano sem usar redes sociais.

Risos né?

Consegui ficar dois dias sem acessar nenhuma rede social, mais especificamente os dias em que estava na fazenda onde fui com a minha família passar o natal. Lá não pegava nem o sinal de telefone, então não é como se eu tivesse alguma escolha, mas me fez muito bem de toda forma, principalmente porque veio junto com a oportunidade de deitar na rede, tomar sol, caminhar no campo sem fones de ouvido e algo que amo fazer e não praticava há muitos anos, que é andar a cavalo (e abraçar potrinhos como se fossem cachorros gigantes). Mesmo quando voltei pra civilização a internet do celular continuou desativada e só postei uma foto e acessei o Twitter quando já estava casa, mas a partir daí foi só ladeira abaixo.

Porque além de tudo eu também estava muito triste, 108% na merda, e ficar sozinha com a minha cabeça não era tão legal assim. É mais fácil fazer um detox quando você está na praia, de férias na Europa, longe da sua rotina, com acesso a uma rede, piscina ou animais enormes; a coisa muda de figura quando você só tem vida real e coração partido. Aprendi com o Bored and Brilliant que a engenharia das redes sociais é realmente muito boa com vida real e coração partido, no sentido de que é algo projetado justamente pra se encaixar nesses nossos buraquinhos emocionais e preenchê-los com estímulos e satisfações rápidas, operando em princípios parecidos com o do álcool, das drogas, do sexo, do jogo e basicamente de tudo que vicia. Golden Krishna, designer digital entrevistado no livro, diz que só empresas de tecnologia e traficantes de drogas chamam seus clientes de usuários. Já a Tavi compara esses atrativos ao diabo do filme Broadcast News.

Eu não estou virando tecnofóbica. Me recuso a entrar pra história como parte do grupo de pessoas histéricas que acreditavam que todo salto de tecnologia era sinônimo de fim do mundo, como as pessoas que queriam acabar com a eletricidade e não acreditavam em televisão. Em um texto sobre o assunto, a Luiza Voll finaliza dizendo: “Escrevo tudo isso porque te amo, internet. Amo as redes sociais e precisaria escrever um livro para contar tudo que você já me deu e me dá todos os dias.”, e essas palavras poderiam ser minhas. Mas estou BOLADA e meio assustada com o que a internet está fazendo comigo ou com o que estamos fazendo com ela. Internet I love you, but you’re bringing me down.

Isso não diz respeito apenas aos problemas mais óbvios, como o gargalo de tempo, a perda da produtividade, a fissura pelo like e a atenção plena cada vez mais rara. Eu tenho pensado muito sobre o que isso significa em termos de economia e como tem pessoas lucrando com isso o tempo inteiro. Outra fala do Krishna, com tradução minha: “É uma pena que a nova mídia esteja substituindo a mídia antiga utilizando o mesmo modelo de negócio, por mais que a gente esteja falando sobre uma disrupção ou mudança na economia, nós ainda estamos usando a mesma ideia de vender anúncios em troca olhos, visualização.”. Foi nisso que pensei quando vi as novas mudanças no algoritmo do Facebook, do Instagram e do Youtube, que basicamente vão matar iniciativas independentes, pequenos produtores de conteúdo, artistas e todo mundo que usa essas plataformas pra colocar seu trabalho e suas ideias no mundo, transformando o espaço mais democrático que a gente já teve numa versão virtual do mundo que a gente já conhece muito bem numa lição eternizada pelo grupo As Meninas: é que o de cima sobe e o de baixo desce.

E o que vai sobrar é uma disputa cada vez mais feia pela atenção, com mais pessoas enchendo banheiras de nutella e filmando suicídios, mais notícias falsas sensacionalistas num ano eleitoral complicadíssimo, mais cliques de indignação e mais daquilo que tomei como nêmesis particular, a cacofonia de lacração. Me sinto obrigada a falar sobre esse último aspecto porque faço parte da indústria do textão e sei que já contribuí com isso e perdi alguns milhares de pontos no meu score de boa pessoa ao apontar o dedo do jeito mais mesquinho e superficial. Porque se indignar e se engajar em alguma causa se tornou uma moeda social importante tanto quanto ter muitos seguidores e ganhar mimos das marcas; a suposta elevação moral hoje é tão importante quanto beleza, dinheiro e coolness.

A gente reclama da Crítica Social Foda não por achar que o mundo ficou chato de repente, mas porque ela normalmente é redigida sem muita reflexão, na pressa, no susto, pra ganhar uns RTs e dar a quem escreve o gosto de olhar para o outro e sentir que existem pessoas mais problemáticas que você, apesar dos seus erros e privilégios, o que automaticamente te faz mais puro e inocente por contraste — o que é uma mentira. Vocês lembram onde a Tahani, de The Good Place, foi parar, né?

“A natureza performática de emitir uma opinião na internet pode ser motivada pela mesma insegurança e desejo de pertencer que produz uma foto estilizada de comida no Instagram. Não é como se nos tornássemos mais altruístas e abnegados assim que a moralidade entra em jogo. Nós nascemos com medos e ansiedades, e eles são alimentados por nossas experiências de vida, e nem sempre a gente pode escolher quando estamos agindo pelo desejo de sermos amados ou quando nossas intenções são puras.” — Tavi Gevinson

Sabe, a gente vive num país fundado sobre o genocídio indígena, que prosperou por anos graças a uma economia escravista, e agora vivemos o capitalismo, que dispensa apresentações. Existem pessoas mais e menos prejudicadas pela opressão, mas ninguém está isento, ninguém está livre de machucar, ainda que indiretamente, alguém, em algum momento nós vamos nos contradizer. É perigoso e contraproducente acreditar que só pode andar do nosso lado quem for completamente puro, quem estiver pronto e souber de tudo, e essa gritaria não leva ninguém pra lugar nenhum, não está criando ou construindo nada, só contribuindo para uma ideia de mundo em que é mais importante ser aprovado e não discordar, gastando uma energia imensa em apontar dedos e identificar falhas. Isso impede que pessoas se eduquem e se informem e se envolvam, porque nós fazemos elas acreditarem que nunca vão ser boas o suficiente e que não há nada pra ser feito, já que tudo foi corrompido. Não é muito diferente do que vivi quando tinha uns 18 anos e decidi não frequentar mais igrejas.

Enquanto isso, pessoas que não estão nem um pouco preocupadas com as nossas causas continuam ganhando dinheiro enquanto a gente discute quem é mais desconstruído e está mais certo.

Ler o texto da Tavi foi como passar por uma sessão de descarrego que me livrou de uma angústia que tenho sentido há muito tempo, mas não conseguia colocar em palavras e ainda não tinha visto ser tão bem articulada. A solução que ela sugere, e que foi a primeira coisa em muito tempo que me trouxe algum consolo e vontade de ficar, foi aceitar o eterno desconforto das nossas falhas e privilégios, entendê-los a fundo para não abusar desse poder ou negá-lo através de indignações vazias, mas usar seu impacto para construir coisas positivas. E estender esse benefício aos outros, enxergando as pessoas como seres complexos, e não avatares planos, representações mal construídas de pessoas que só podem ser completamente boas ou completamente ruins. Acreditar que todo mundo está fazendo o seu melhor e agir de acordo, a menos que evidências concretas apontem pro contrário.

É uma reação que não segue a lógica imediata da internet e estimula conclusões que não são tão satisfatórias ou fáceis quanto rachar alguém com um tuíte, mas é um caminho para mudanças mais significativas e uma forma de assumir o controle sobre o que fazemos aqui em vez de reproduzir os comportamentos viciosos que estamos sendo treinados a partir de nossas inseguranças para performar.

“O que quer que você precise fazer para criar esse espaço pra você, faça esse ano. Faça agora. Lute contra no novo ritmo de pensamentos feito para nos manter em brigas de Facebook rendendo mais dinheiro pro Facebook. Resista ao impulso de ficar tão transtornado com toda história ao ponto de acelerar rumo a um abismo de apatia. Prolongue o percurso entre um pensamento sincero e sua expectativa de como ele será recebido, uma distância que diminui cada vez mais graças ao medo. Teste suas ideias com pessoas que você não está desesperada para impressionar, assim haverá menos ego embaçando a sua discussão.”

Isso tem tudo a ver com a forma ativa de interagir com a internet, que é o que o Bored and Brilliant procura resgatar e faz sentido também para coisas que não tem nada a ver com discursos sociais. É sobre aprender a deixar o celular em outros cômodos, fora do alcance, pra que você precise ir até ele e pensar melhor sobre o que vai fazer com o aparelho na mão. Desativar notificações para depender cada vez menos do ping de aprovação, que rouba nossa atenção de todo o resto. Excluir alguns aplicativos pra que estar ali não seja um reflexo ou uma fuga, mas uma escolha consciente. É uma tentativa de ser de novo a pessoa que entra na internet.

E como comecei esse texto falando sobre nostalgia e adolescência, toda essa discussão me lembrou de uma música que era uma das minha favoritas na época, e ainda é, mas que só agora eu realmente fui prestar atenção na letra. Em “A Mirror Is Harder To Hold”, o Jon Foreman canta sobre a dificuldade de enxergar as próprias falhas e aceitar as falhas dos outros, mas aprende que buscar pela perfeição só nos faz cada vez mais sozinhos. Algo me diz que isso se aplica aqui também.

Texto publicado originalmente na newsletter No Recreio.

Todos os gifs que ilustram o texto são da série The Good Place, excelente pedida caso você queira dar gostosas risadas, ver pessoas muito bonitas, conhecer o lado surrealista do Michael Schur e pensar sobre ética e as implicações de querer ser uma pessoa melhor.


Algumas coisas que andei lendo e que me ajudaram a pensar sobre tudo isso

- Utopia, o editorial da Tavi Gevinson e todos os links e referências dentro dele;

- Bored and Brilliant, livro da Manoush Zomorodi, e a versão do projeto em formato de podcast;

- Detox digital, reportagem especial incrível da Contente sobre o assunto;

- Tempo para perceber como a internet molda nosso comportamento, análise da maravilhosa Luiza Voll;

- No offense, texto da Jia Tolentino, antiga editora do Jezebel, falando sobre como a cultura de indignação (principalmente a feminista) não mudou nada no mundo e ainda nos torna menos combativas;

- Entrevista mais recente com a Jia Tolentino falando sobre esses mesmos assuntos e como ela enxerga o futuro do discurso de mulheres online. Essa fala não sai da minha cabeça:

“Na era Trump, narrativas morais nunca foram tão necessárias e também tão inúteis. É realmente frustrante admitir isso como escritora. Mas acho que subestimamos as vozes de mulheres por tanto tempo que corremos o risco de estarmos sobrecarregando isso agora. O discurso das mulheres, não importa o quão convincente, não pode fazer o trabalho da redistribuição econômica, de políticas públicas igualitárias.”

- Botecos e sementes, edição da newsletter do Viver de Escrita também sobre economia de atenção, internet ruim, e muitos links interessantes sobre o assunto;

- “Estamos construindo uma distopia pra fazer as pessoas clicarem em anúncios”;

- Your attention, o John Green também está insatisfeito com a internet e fez um vídeo sobre isso;

- The internet is no fun, vídeo da Taylor Behnke sobre o assunto;