Espetáculo

04/12/2014

Ali, naquele trailer-quarto-camarim, Natasha tirou os cílios postiços e pensou: “ô, coisinhas que atrapalham a minha visão!”. Enquanto removia a maquiagem pesada, olhava para aquele espelho repleto de pequenas lâmpadas, em sua maioria queimadas, e buscava lembrar-se de cada detalhe daquele espetáculo inesquecível. À sua frente, já não estava apenas a engolidora de facas, mas todo o elenco daquele circo encantadoramente decadente.

Ainda conseguia sentir a magia da apresentação dos poodles adestrados. Nossa, quanta energia! Ela sempre se admirava com a habilidade daquela família de treinadores eslovacos. Wladmir, o equilibrista, também a entusiasmava ao lidar com tantos pratos, copos e talheres, que mais lembravam um banquete de sentimentos. Tatyanna estava lá como sempre, cercada por suas feras e domando os seus demônios particulares. Alaôr, o palhaço-bilheteiro-pipoqueiro, carregava consigo um baralho especial para a ocasião… composto por tantas cartas de copas, que ela não ficaria surpresa se ele houvesse roubado o coração de cada pessoa da plateia para executar seu número.

E lá no canto, na entrada, nos bastidores e, por vezes, no centro do palco estava Boris — o onipresente dono do circo. Observava tudo com os olhos semicerrados e alertava cada integrante da trupe de que o importante é não ficar parado: nem antes, nem durante e muito menos depois show.

“Agiliza, Natasha! Você ainda precisa varrer o picadeiro antes de dormir!”.

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