Do Bullying ao Suicídio

O assunto abordado não é algo que gostamos de falar, é um tema desconfortável, complicado, delicado, contudo, ele acontece e por isso precisamos falar sobre ele. Quando se trata de um problema social é necessário ser mencionado, dialogado, analisado, e, é perigoso não falar sobre isso.

A adolescência é a fase da mudança, da transformação, onde os jovens estão desenvolvendo sua identidade, seu corpo, estão aprendendo sobre a sexualidade, sobre relacionamentos, de como se relacionar com pessoas diferentes umas das outras, e isso para a mentalidade do jovem não é algo fácil, simples, pelo contrário, são obstáculos.

É na adolescência, na escola, na faculdade que os jovens passam a ter sua primeira experiência sexual, ter seu primeiro namorado, namorada, amigos, a ter contato com as diversidades.

É nessa fase da vida que a identidade do jovem começa a surgir, e mesmo de maneira inconsciente ele se sente obrigado, pressionado a adquirir essa identidade, lidar com as mudanças as cobranças, os medos as críticas, não é uma tarefa fácil, ainda mais em uma fase da vida que gera tantas dúvidas.

Os jovens não sabem administrar suas emoções, frustrações, tem vergonha de pedir ajuda quando enfrentam um problema, acham que são um fardo e não um ser humano cheio de dúvidas e emoções, por isso se isolam, se calam, e isso é um passo para um grande problema social, o suicídio.

A pouco, o tema bullying vem sendo muito discutido como um dos principais fatores que motivam o suicídio e aumentam a depressão. Assuntos como este envolve políticas públicas e não devemos nos calar, a sociedade, entidades e órgãos públicos devem se mobilizar e tomar atitudes para combater essa violência psicológica.

No prisma jurídico, o bullying pode ser considerado como crime de natureza grave que ocorre de forma habitual. Uma forma de violência psicológica que visa em amedrontar, aterrorizar, intimidar, chantagear, ameaçar. As ações negativas são consideradas como aquelas situações em que alguém, de forma intencional e repetida, causa dano ou fere outra pessoa.

Os atos de bullying, podem serem considerados como atos ilícitos pois, desrespeitam os princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e ainda, causa dano a outrem devendo este dano ser reparado conforme os arts. 186, 187 e 927 do Código Civil, desse modo, toda atividade que acarreta um prejuízo gera responsabilidade ou dever de indenizar.

A responsabilidade pela prática de atos de bullying pode se enquadrar também no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas particulares prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de bullying que ocorram nesse contexto, podendo-se dizer que nesses casos houve um defeito na prestação do serviço.

Geralmente os jovens quando estão vivendo em uma fase de transformação como já mencionado, muitos deles são pessoas reprimidas, que tem dificuldade de conversar, de expor o que estão sentindo, falar sobre algo importante que está acontecendo em sua vida, sobre coisas que estão passando pela sua cabeça, é nessa fase da vida que há tanta coisa acontecendo dentro de você que você não consegue dividir isso com ninguém.

Por esses diversos fatores emocionais, interferem ao jovem que é vítima de bullying (tanto por agressões físicas quanto verbais e ainda de natureza material e moral) pedir ajuda, pedir socorro, por isso, tomam uma atitude impulsiva e não conseguem ver uma saída para acabar com aquele sofrimento momentâneo ou permanente, motivo este que fazem eles acreditar que a única solução para sessar essa dor é acabar com a própria vida. A questão é, até quando vamos continuar acreditando que isso é falta de laço e não um problema social??!!.

Dados disponibilizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que 800 mil pessoas por ano tiram a própria vida, ou seja, aproximadamente a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio. O Brasil é o oitavo país com mais suicidas, isso é alarmante.

Quando se está na posição da vítima é tão difícil pedir ajuda, porquê sente que vai ser um fardo para outra pessoa, ou você não acredita que a pessoa vai ouvir ou se importar, por isso é importante saber que tudo isso é possível mudar, começando pelo modo como tratar uma pessoa, através de uma simples conversa, ou até mesmos pela simples sutileza de ouvir o que ela tem a dizer, são esses pequenos atos que fazem a diferença.

O impacto que a ação de uma pessoa tem sobre a vida de outra é tão real e forte que potencialmente as consequências são muito sérias, e talvez podemos fazer algo para prevenir que isso aconteça.

Atualmente vivemos em uma sociedade de aparência, pessoas mostram em seus perfis de Facebook, Instagram, Snapchat, seus momentos pessoais, suas vidas, e aparentemente estão muito felizes, ocorre que, quase sempre só passa de mera aparência de algo filtrado, mesmo com tudo isso você nunca vai saber o que realmente está acontecendo na vida delas.

Acredito que se a sociedade for solidária, honesta, não ignorar os problemas, não ignorar os sentimentos de pessoas vítimas de bullying, fazendo com que se sintam mais confortáveis a falar dos problemas, sem ser julgado, é um modo de ajudar as vítimas a ver outra saída e não cometerem atos impulsivos.

É importante se imobilizar com a vida dessas pessoas que sofrem, promover o combate ao suicídio, não apenas pela vida da vítima, mas pelos danos colaterais que o suicídio causa, pois quem comete suicídio não percebe o quanto a sua morte vai afetar as pessoas que a amam, por isso, todo sinal de depressão, de uma mudança drástica no comportamento como, agressividade, abuso de álcool, droga, deve ser levado a sério.

Ainda, é importante mencionar que um país como o Brasil, onde o incentivo à melhoria da educação de seu povo se tornou um instrumento socializador e de desenvolvimento, no qual grande parte das políticas sociais é voltada para a inclusão escolar, reduzir a prevalência do bullying no espaço escolar pode ser uma medida de saúde e defesa pública extremamente expressiva e efetiva.

Por isso, volto a mencionar que, bullying, depressão, suicídio não é falta de laço, é um problema sério e social, é necessário tomar medidas de forma preventiva e coercitiva, promover uma interação entre família, escola e social buscando interações benéficas para todos.

REFEÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-04/e-preciso-falar-sobre-bullying-depressao-e-suicidio-alertam-especialistas

http://todateen.com.br/papo-bff/garoto-comete-suicidio-bullying/

http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/bullying.htm

http://www.ambitojuridico.com.br/site/?artigo_id=10937&n_link=revista_artigos_leitura