Amor vegetal

Sei que sonhas
nas celestes copas araucárias 
ou talvez no alegre
rosa
do fruto da mangueira — 
não há vergonha, somos plantas
que invejam
o sacrifício da fogueira: 
medramos com o secreto propósito
de nos incendiar.

Todavia
antes da papoula 
que chora, mas entorpece
soubes-te tu do cacto 
com seus acúleos
e sua finesse
nada impede ainda
que encontres tua própria flor.

Somente um broto 
como qualquer outro
(embora aches 
que teu riso 
absorto 
seja disfarce
para a menina 
que sabe demais)

tentas espinhos 
porém mindinhos:

tens o amor.
Não sabes, pequena 
mas em ti
há o amor.

O resto tanto faz.