Brunna, obrigado pelo elogio, espero que você continue visitando o cantinho virtual aqui…
Então, sobre o funk, eu entendo seu ponto de vista.
Mas me entrando um pouco mais nesse quesito, eu me pego pensando se na própria aceitação do funk não há uma ponta (talvez não proposital) de preconceito.
Me explico: quando o Cartola, que eu cito no texto, foi aceito, não é porque ele era pobre ou morava no morro. Era porque o trabalho dele era bom demais para ser ignorado.
Quando o samba, como um todo, foi aceito, foi pelo mesmo motivo. Não dá pra conter o samba num corte espacial ou social. Assim como aconteceu com o Blues, com o Soul, com o Rap, mesmo com o Punk Rock. São movimentos musicais com recortes sociais, mas nunca o contrário.
Eu temo que parte de uma certa intelectualidade aceitou o funk carioca numa atitude de cima pra baixo, meio que “isso é feio, mas como você é pobre é lindo”. Como se isso fosse o melhor que as comunidades pudessem oferecer. E isso não é verdade. Coisas verdadeiramente lindas nasceram em lugares muito, muito pobres, e de momentos de grande perturbação social.
Não consigo dourar a pílula. O funk me soa como uma coisa anacrônica, que jamais teria sido aceita se tivesse nascido, com as mesmas características, nos Jardins em São Paulo. Para mim é uma música sem qualidade técnica, claramente sexista, machista e idiotizante.
Mas entendo quem veja nela uma explosão de diversão pura. Tenho um pouco de medo da expansão sem controle. Mas isso pode ser minha cabeça de velho falando (a gente tenta, mas não escapa do tempo).
Obrigado pelo comentário, abraços!