Então você acha que gosta de Star Wars?

Update no fim da noite:

Pensei muito antes de tomar a decisão de alterar o texto. Muita gente me pediu de forma não muito educada para apagar. Resolvi não fazê-lo. Mas quis dar uma explicação aqui para terminar com o ciclo de ofensas. Sei que pra um bom hater retratações não valem de nada. Vao com certeza dizer: “olha lá, o tiozão arregou. Mas nessas horas vale mais minha consciência do que o que qualquer um acha.

O que eu quero dizer é que pensei muito no conteúdo do texto, e a maioria de vocês tem razão em tê-lo achado escroto. Não foi o que eu quis dizer, mas soou assim. Eu não acho que o amor de nenhum jovem por Star Wars seja menor ou diferente do meu. Aliás, pelo que eu vi, é o contrário. Vocês devem adorar muito mais do que eu os filmes. Só amando muito pra ofender tanto alguém.

Apesar de achar bem lamentável que a comunidade que se une em torno de obras de arte seja tão violenta e aparentemente se divirta tanto na atividade de apedrejamento virtual, eu entendo que meu texto soou antipático. Me desculpem.

Como eu acho que no sumiço não se aprende nada, ele vai continuar aí embaixo. Repondo qualquer pergunta feita com educação, como fiz até aqui.

Aos grosseiros, estúpidos e raivosos, eu só acho que infelizmente, vcs podem curtir Star Wars. Mas não levaram nada do que ela diz.

Mais uma vez, desculpem a ironia que não deu certo.

Ok, garoto, você está ansioso para ir ver Episódio 7: O Despertar da Força.

Eu te entendo. O marketing é grande, só se fala nisso. Os trailers são legais. Teve Comic-Con, tem J.J.Abrams, o cara do Lost. Bacana. Espero que você curta o filme, e que tenha os melhores momentos possíveis dentro da sala de projeção.

Mas você sabe que se houvesse justiça no mundo, os portões do cinema nem deveriam deixar você entrar na estreia, né? Se as coisas fossem feitas da forma correta, haveria entrada preferencial para gente entre 40 e 50 anos.

Não se trata de queixumes de um velho. Deus sabe que não existe um troço mais chato no mundo do que um geek que acredita ser detentor de algum conhecimento transcedental só porque sabe a escalação de todos os desenhistas e roteiristas do Batman de 1940 a 1984. Eu não sou desses. Nerdismo é muito legal, mas tem pra todos. Melhor hoje do que na minha época, onde a gente escondia as coleções em casa para ninguém saber, e quando apanhava na escola não era bullying, porque essa palavra nem existia.

É mais uma questão de merecimento. Veja, você acha que sabe o que é Star Wars, mas na verdade essa é uma ilusão vendida por alguma marca de refrigerante. Para saber o que é Star Wars, você tem que ter nascido entre os anos 60 e 70. Desculpa, não tem outra forma de entrar nesse clube.

Para você tentar entender, mal comparando, é como se parassem de fazer filmes do Harry Potter agora. E daqui há 30 anos, resolvessem fazer uma continuação. E os 3 atores principais topassem. Dá pra imaginar? Mas é uma comparação ainda tosca. Porque Harry Potter é um fenômeno literário antes de cinematográfico. E porque esqueça, eles não vão parar de fazer filme. Nunca mais.

O cara que está realmente ansioso com essa estreia, o cara que se arrepia inteiro quando vê Han Solo dizendo “Chewie, we’re home”, está assim porque ele também sente que está voltando para casa.

Para sentir o que eu sinto, você precisaria ter desmarcado qualquer programa que tivesse para assistir na extinta TV Manchete o primeiro filme. E continuar a desmarcar todos os compromissos cada vez que rolava uma reprise. Porque por incrível que pareça, existia um mundo sem Netflix, sem TV a Cabo, sem DVD, nem BluRay e no caso, nem VHS. Ou você via naquele momento, ou perdia a oportunidade até sabe-se lá quando.

Seria preciso você nunca ter ouvido “No, I am your father” (obrigado ao Marcelo Cruz) na vida. Entrar num cinema e levar o choque. Não é possível, só Janete Clair poderia pensar em tal reviravolta.

Você precisaria ter treinado suas habilidades Jedi com um cabo de vassoura qualquer, porque não havia nada parecido numa loja de brinquedo. Teria que ter imitado o Darth Vader falando dentro de uma lata de leite moça. Teria que ser um moleque nos anos 80, um tempo em que, quando a gente ficava puto com os pais da gente, não extravazava com a galera no WhatsApp. Só podia mesmo ficar sozinho olhando o por do sol, igual ao Luke (com a diferença que ele olhava dois).

Para ser merecedor, você tinha que ter ido a Retorno de Jedi, e quando a Leia aparecesse de biquini na tela, ter pensado “mas como foi que eu deixei isso passar nos outros dois?”. Tinha que ter gostado tanto, mas tanto da experiência toda que encarou até Caravana da Coragem depois, mesmo sabendo que ia ter Ewok do começo ao fim.

Você pode me dizer: mas eu fui na estreia dos Episódios 1,2 e 3. E isso seria mais um motivo para eu achar que esse hype não é seu. Convenhamos. Se você é fã de algum personagem desses Episódios, você não manja muito de Star Wars.

Mas não fique chateado. Nosso Guerra nas Estrelas é eterno. E tem novos personagens, que foram feitos sob medida para seu tempo. E pelo que vi, parecem bons. Estes, eu deixo para você. São todos seus.

Mas deixem Luke, Han e Leia para nós, os velhos. Nós passamos por muita coisa para transformar essa série numa religião. Nós merecemos.