Reporters with various forms of “fake news” from an 1894 illustration by Frederick Burr Opper

A grande mídia em tempos de eleição

Em 2014 mudei-me para os EUA. Até então, sempre votei após breve análise dos pontos principais da proposta de cada candidato. E, para mim, isto sempre foi o suficiente. Hoje reconheço minha ingenuidade ao não dar a devida atenção ao conhecimento, a mais poderosa das armas. De qualquer forma, consigo entender meu pensamento na época. Afinal, político nenhum iria pagar minhas contas.

Até que tive contato com uma guerra midiática envolvendo um tal de Donald Trump, um excêntrico empreendedor-celebridade, e Hillary Clinton, a famosa senadora, esposa do ex-presidente Bill Clinton, sucessora democrata do mais-do-que-pop Barack Obama, quem, após seu segundo mandato, teria de obrigatoriamente deixar a presidência.

Democratas vs Republicanos… que papo é esse? As informações vinham até mim sem que eu tivesse como controlar. Todos os dias, todas as horas, em todos os canais, as manchetes-nossas-de-cada-dia eram as polêmicas envolvendo ambos. Foi nesta época que conheci o termo Fake News, inventado pelo candidato bom de lábia republicano. A grande mídia e as redes sociais apenas mostravam uma coisa: não havia a mínima chance de Hillary perder, afinal, os democratas estavam há oito anos no poder e todos amavam Obama. Era natural que Hillary fosse eleita, a primeira mulher presidente dos EUA, ao receber o bastão de Obama.

Trump era motivo de piada. Redes de televisão, jornais, colunistas, Hollywood… No trabalho ou em uma roda de amigos era proibido fazer qualquer menção de voto ao Trump. Afinal, quem seria louco de votar em um doido bilionário, desconhecedor da palavra humildade, quem, além de tudo isso, ainda era o oposto de Obama?

O fim da história já se conhece. O povo escolheu Trump em silêncio e o país colhe os frutos de — até o momento — uma boa administração. Claro que os adversários nunca reconhecerão isto.

E onde que a grande mídia se encaixa nesta história? Será que é só no Brasil que se vê essa tendência à esquerda? Como identificar se determinado artigo trata-se de verdadeiro jornalismo ou mero ativismo?

Meus anos acompanhando debates políticos e ideológicos, tanto no Brasil quantos aqui nos EUA, me fizeram criar um pré-filtro automático que me ajuda quase que na totalidade das vezes em que o coloco em prática. Mas claro que não recomendo a quem ainda tem baixa quilometragem neste processo de filtragem, ao ponto de olhar um texto e, ao ver Folha de São Paulo, Carta Capital, Veja etc., saber tratar-se de informação no mínimo deturpada. Seria ilógico. Pois bem, este meu filtro automático foi criado a partir de um processo.

  1. Ler sobre ideologias, origem e desenvolvimento de sociedades e muita História.
  2. Definir (em alto nível) onde eu me encaixo neste mundo de ideologias/crenças.
  3. Ao ter acesso a algum artigo, determinar se trata-se de um texto jornalístico, uma opinião/crônica ou mero ativismo. À medida em que aumentam o nível de conhecimento e a quantidade de experiências analíticas, fica mais fácil perceber tendências — ou manchas — em artigos. O velho “lobo em pele de cordeiro”. Digo isso pois há muitos textos supostamente jornalísticos/informativos cheios de leves pitadas de ativismo. O que chamo de as “sutilezas do engano”.
  4. Ao analisar o artigo, pesquisar sobre seu(s) autor(es).
  5. E o veículo? Quem banca? Just “follow the money”.

Enfim, misturando esta receita, muitas vezes em ordens diferentes, uma pintura muito nítida se desenha a respeito de textos que chegam a mim. Obviamente, isso também se aplica às matérias de televisão. O Fantástico, da Rede Globo, é mestre em veicular notícias com sutilezas que passam despercebidas a 99% dos espectadores.

Fora isso, há algumas verdades as quais tenho para mim:

  • As maiores empresas de comunicação do mundo têm viés ideológico Marxista (Silicon Valley é esquerdista). Quer uma piada pronta? Basta ver quem faz os Fact Checks dos posts no Facebook (makes me laugh).
  • Os maiores financiadores do mundo de veículos de comunicação são de esquerda.
  • Dentro desse sistema há gente neutra, sim. Entretanto, geralmente sufocada por não seguir a regra (seja em ser deixado em geladeira, ter de alterar seus textos com algumas inserções de inverdades, frases tendenciosas (as “sutilezas do engano” que mencionei), sem melhores oportunidades de carreira, ou sendo simplesmente demitidos).

É possível encontrar algum veículo de massa neutro? Em minha opinião, não. Há um espectro que vai de quase-centro à esquerda (nunca à direita, infelizmente). Aqui nos EUA, por exemplo, há vários canais independentes que começam a ganhar certa relevância frente ao público. Quando menciono canais não necessariamente me refiro a grandes estruturas, bem organizadas e financiadas. Muitas vezes trata-se de pessoas com um celular e vontade de compartilhar conhecimento, de estudantes a jornalistas independentes, de filósofos a acadêmicos conservadores. Num próximo texto vou compartilhar alguns que sigo. Isto é muito bom para a democracia e a grande mídia (ou o Sistema, como preferir) começa a sentir os resultados deste crescimento — e tem se assustado. No cenário principal, conservador vs liberal, sempre houve a Fox News como uma força do outro lado, mas esta também com suas falhas, afinal, dinheiro também fala mais alto muitas vezes.

De qualquer forma, o antagonismo é saudável para qualquer democracia.
A Jovem Pan tem jornalistas que preenchem todo o espectro político/ideológico. É bem fácil de identificar.

No Brasil, o mais próximo ao centro, que dá liberdade a diferentes approaches, é a Jovem Pan, que ainda dá espaço àqueles que não são ativistas. Mesmo assim, ainda dominado pelo viés ideológico socialista. Creio que também ocorre pela falta de profissionais diferenciados, afinal, nas últimas décadas é o que tem sido “ensinado” nas escolas e universidades. Inclusive hoje, ao analisar minha trajetória, tanto na faculdade quanto em meus empregos em comunicação, vejo muito bem como me sentia um peixe fora d’água por ser um conservador no meio dos cool kids.

O cidadão comum, em sua preguiça de executar um mínimo processo de decupagem, confia na veracidade do artigo pelo mero fato de ser publicado por veículo sou instituićões conhecidos. Exemplos recentes: se o discurso foi em Harvard, se foi a ONU que disse, se o Washington Post publicou, se o NYT confirma, se o The Economist prediz… então deve ser verdade. Eu credito tal constatação à preguiça do brasileiro pela leitura e pesquisa.

Para mim, a única boa notícia é que hoje, em Outubro de 2018, pelo menos, existe uma possibilidade de haver uma alternância no regime ideológico de um país, com governos socialistas desde que me conheço por gente. Um conservador liderando as pesquisas para ser o novo presidente? Até o ano passado eu já tinha desistido do Brasil e foi uma grande surpresa ver isso acontecendo. Não há nada de mágico nisso e não não chego ao ponto de colocar minha total confiança nesta mudança, mas que é bom assistir a esse cenário, isso é. Bom e assustador, mas esta parte fica para uma próxima.

O Brasil tem jeito. Preciso crer nisso.