Uma Semana em São Paulo.

Foram apenas alguns dias na capital econômica do Brasil, caminhando, dirigindo, conhecendo, falando, observando.

Não tenho dúvidas que é onde os negócios acontecem. O fluxo financeiro é gritante. A energia focada no produzir, fazer e negociar é sentida em todos os cantos.

Fui até lá. Fiz um bom negócio. Mas outras questões me tocaram.

São Paulo é uma cidade adoecida. Tenho para mim que quando nos desconectamos de uma percepção de unidade um stress começa acontecer no fluxo natural das coisas. Eu me senti visitando um órgão do corpo humano que precisa de tratamento, de anticorpos.

Nas ruas todos parecem compenetrados em resolver algo, em apagar algum incêndio, preocupados, angustiados, atrasados, buscando algo.

Em meio a calçada um mendigo dormindo. Ele não estava em um canto, mas literalmente no meio. Há 50 metros um outro, comendo casca de melão, jogado ao chão, saciando sua fome. Uma demonstração excepcional do nosso lado mais primitivo. Como agiríamos, provavelmente, desprovidos de consciência e ego.

Entrando em um shopping popular no centro, o cheiro de gordura e comidas densas me deixaram tonto. Observando todas aquelas pessoas devorando aquela energia para logo mais, provavelmente, fumar um cigarro enquanto a guerra no trânsito segue sua rotina natural.

Alguns buscam se desconectar daquela realidade, com fones de ouvido e olhares distantes, de repente para a São Paulo que queriam estar.

Há uma adaptação muito grande nesse meio. Eu mesmo me adaptei. Conheci pessoas surpreendentes. Confiei cegamente em quem conheci há alguns segundos. Pessoas honestas. Mas o ecossistema me pareceu denso. Uma máquina em pleno vapor, funcionando sem parar, cada um contribuindo com sua cota de “carvão”, rotação máxima. Parece que uma hora vai explodir.

Mas como dito acima, foi o que me tocou. Continuo adorando meus amigos paulistas e não deixarei de voltar sempre quando necessário. São Paulo sempre me marca de alguma forma.