Corpos Livros - Crítica do filme Her, de Spike Jonze

Somos assustadoramente colocados com frequência em situações que nos garantem certa instabilidade, tanto material quanto, principalmente, psicológica / amorosa. Essas situações nos expõem a criações ilusórias do que deve ou não ser bom por si e acabam nos levando a direções sem volta, o que pode, por um lado, ser nossa válvula de escape ou por outro, o empurrão ladeira-a-baixo . Mas, graças à tecnologia, chegar ao fundo do poço tem ficado cada vez mais difícil, uma vez que é existe o poder aquisitivo e um vasto leque de soluções para um solidão. Namoro virtual, grupos sexuais online, encontros amorosos através da inteligência coletiva. Tudo isso foi o que o diretor Skipe Jonze quis mostrar em Her, sua produção de 2013 quw fará sentido, possivelmente, até a próxima década.

Por incrível que pareça, o mal do século, segundo especialistas, tem sido a solidão. As pessoas tem ficado mais egoístas, mais independentes, e ao mesmo tempo que isso satisfaz o lado esquerdo do cérebro, o lado direto sofre por não ter alguém, que, culturalmente falando, é importante para iniciarmos uma família e termos em quem confiar. O filme Her retrata um homem adulto que cujo a vida profissional é muito boa, mas que, por outro lado, está sofrendo por ter sido deixado pela antiga esposa. É fato que os relacionamentos têm se tornado complicado e que perceber o outro, egoístas como estamos, é uma linha que perdura entre flertar e mérito, então Theodore, personagem principal do filme, decide comprar um sistema operacional online que promete eliminar um solidão. A partir de então é construído a relação interconexão> comunidade virtual> inteligência coletiva, fatores base para essa comunicação humana - máquina - humano.

Jonze eleva as crítica para a sociedade com o filme quando a Theodore se apaixonar pela pessoa virtual. É como se ele quisesse mostrar que estamos tão acostumados a aceitar apenas o que nos faz bem que ter um perfil on-line que se encaixa perfeitamente e milimetricamente nas nossas decisões do que é bom seja a melhor ideia de relação, o que é, no mínimo, insano, mas muito frequente. Frequente em algumas sociedades, já que também é passada uma ideia de poder aquisitivo quando ele tem que comprar o modelo, e não é todo mundo que pode comprar algo assim. Enquanto uns conquistam o amor, outros compram. Então é criada uma relação de amor entre o Theodore e Samantha (personagem virtual) que só é possível graças a tecnologia e comunidade virtual.

É de suma importância a participação de ambos, pois sem Theodore Samantha não existiria. Ele funciona como a interconexão enquanto Samantha é o ser que só existe se houver a essa conexão e uma comunidade virtual, o que resulta na inteligência coletiva que é essa troca de informações, essa relação, através de campos virtuais.

No decorrer do filme, Jonze faz com que Samantha tenha outras experiências virtuais e sinta o "amor" que sentia por Theodore por mais de seiscentas pessoas, talvez fazendo uma crítica a sociedade e a tradição da monogamia. Por fim, Theodore acaba sozinho, sem o amor real nem o virtual. Só ele, só. Único. Nos fazendo refletir que a comunicação virtual e a inteligência coletiva são importantes, mas não são mais que o convívio fora dali.

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