ESPALHOS ARRUACEIROS

de olhares ao limiar da pele

I — OLHAR SOBRE

as coisas tem um sol em si
que explode dentro e só brilha para fora.
como é solitário ser sol,
ser só, não, porém.

II — OLHAR ENTRE

não me interessa a vida das coisas
apenas o irredutível e determinante,
afora a corrogênese que definha
um único fim em dois pontos:
se vais bem, sorrio com afeição a tua face;
se não vais, sorrio a tua face com atenção.

III — OLHAR PELO

tenho no meu querer sentidos de deusas.
sobre minha pele habita o estranho
chamado tempo. 
à outras formas de viver quanto a isso, 
prefiro eu ficar com minha dor
a qualquer outro lamento.