Imagen: Ñande Jarechá

GRITO RUÍNAS!

Tenho ruínas tatuadas em minha clavícula. 
De escombro escorrido nos ombros
Não tato o sentido de pouca coisa.
Tão grandioso, avisto um pássaro
Sou-lhe o vôo e ainda sendo
Tornar-me-ei pôr-do-sol sem céu.

De corte exposto, grito ruínas. 
E desejo que urubus e sua anômala piedade
Me faça as traças e que esmigalhado
Me ponham uma coberta 
Com cheiro de lavanda.

Tenho olhado bastante os céus. 
Estrelas caídas me dizem muito mais,
Donde decaído suspiro a cadência do tempo.
Eternizado ao degradê dos trópicos, 
No entanto entretrópicos degrado.

Tenho rompido a fisiologia do cego, 
Ensaio as noites um despertar de cílios.
Pálpebras trêmulas; pupila retraída.
A vida que leve se avermelha.

Ainda respiro com alguma dificuldade
O mormaço de pele e calor. 
E enquanto divago alheio ao montes,
Grito ruínas! Todas minhas.

Tenho, na etcetera de toda palavra falada, 
Mirado o centro do Nervo.
E tenho sabido do fim, 
Longínquo e belo - não tardo.

A Terra que treme são meus pés firmes no chão. 
A Terra que treme. Meus pés firmes no chão. 
A Terra que treme e eu. Grito ruínas.