As Caça Fantasmas

Hoje, antes de ir ao cinema, passei no Burger King. O atendente, puxando papo, perguntou que filme eu ia assistir e quando respondi As Caça Fantasmas, ele fez uma careta e disse que o filme era “ruim”, porem quando questionei se ele já o tinha visto a resposta foi negativa (claro). É curioso ver essa reação que a nova versão dos Caça Fantasmas causou, no meio da onda de adaptações/recomeços para franquias que fizeram sucesso nos anos 80/90, ninguém achou que sua infância foi arruinada por Jurassic World (apesar do filme ser medíocre, no máximo) ou reclamou muito antes da estreia de Independence Day 2. Já com As Caça Fantasmas campanhas fizeram o trailer ser o com pior avaliação da história do youtube.

Foi bom ver que o filme faz piada disso. O vilão principal é uma boa representação do virjão que se sentiu emasculado por quatro mulheres serem as novas caça fantasmas e o hate que a produção sofreu online antes de sua estréia esta presente em duas cenas onde as personagens leem comentários no youtube expondo o ridículo que há neles (e em quem os escreve). Além disso, ao inverter o gênero de quase todos os personagens inspirados no filme original, fica claro o quanto as regras que limitam personagens masculinos e femininos são absurdas. As piadas não se concentram nisso, mas também não fogem do assunto.

Enquanto marmanjos perdem tempo odiando algo que nem viram, As Caça Fantasmas é um filme divertido e eficiente, apesar de não ser tão bem polido quanto as parcerias anteriores entre Paul Feig e Melissa McCarthy. Os únicos momentos em que perde um pouco o ritmo é justamento quando o elenco do original reaparece em pontas que, em sua maioria, são descartáveis. As personagens de Wiig e McCarthy conduzem a narrativa do filme e por isso as duas comediantes aparecem mais contidas do que o usual, o que da espaço para Leslie Jones e Kate McKinnon brilharem. McKinnon rouba a atenção em quase todas as cenas que aparece, arrancando risos mesmo quando fica calada.

Ao final, além das risadas, me senti bem ao ver um filme de verão americano onde quatro mulheres de corpos, cores e sexualidades diversas salvam o mundo. Vai ver as coisas estão mudando, mesmo que aos poucos.

Ps.: Vocês já reviram os originais? Deixando de lado a memoria afetiva, o primeiro é bem OK e o segundo é um desastre. Dsclp falar a verdade.