Melhores Filmes de 2014


(Segundo eu mesmo…)


Ano passado, motivado pelo Massias e pelo meu apreço por listar as coisas que eu gosto (eu culpo Alta Fidelidade por isso), fiz uma lista de melhores filmes do ano. A brincadeira é divertida e esse ano resolvi fazer de novo, apenas para ser tomado por uma sensação de fracasso: vi poucos filmes. Poderia culpar o lugar onde eu moro ou a falta de bons lançamentos nos cinemas, mas isso é besteira. A culpa é minha mesmo. Acabei por fazer uma lista bem superficial, toda tomada por filmes americanos e brasileiros, grande parte lançada nos últimos meses e que assisti na minha cama, provavelmente de pijama.

Alguns filmes como Her e 12 Anos de Escravidão acabaram fora das duas listas pois foram lançados aqui em janeiro e já foram comentados extensivamente no ano passado. Além disso, em uma rápida pesquisa mental consigo listar diversos filmes que gostaria de ter visto esse ano e que provavelmente são bons o suficiente para disputar um lugar nesse top 10: A Imigrante, Riocorrente, Cavalo Dinheiro, Adieu au Langage, Vidas ao Vento, O Menino e o Mundo, Love Is Strange…

Ainda assim, diversos ficaram de fora dos 10, mas merecem destaque: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Gone Girl (me dói deixar o Fincher de fora, mas o filme é apenas bom), Quando Eu Era Vivo (surpreendente terror psicológico dirigido por Marco Dutra do também excelente Trabalhar Cansa), Pássaro Branco na Nevasca, Edge Of Tomorrow, Godzilla, Magnifica Presenza, Life Itself, Altman (documentário sobre Robert Altman, um dos meus diretores favoritos, que está disponível no Netflix).

Wish I Was Here, segundo filme do Zach Braff, foi minha maior decepção do ano. O filme anterior dele, Garden State, é ainda hoje um dos meus favoritos e também meu filme de fossa oficial. Esperar tanto por esse projeto (financiado por crowdfunding) e receber um filme cheio de lições de moral rasas foi foda. Me senti vendo um filme dirigido pelo Paulo Coelho. Além dele outro que acho importante mencionar é Interstellar por estar em quase todas as listas de melhores americanas, achei o filme bom, na melhor das hipóteses, e só. Cheio de “nolanismos” insuportáveis como a necessidade de explicar cada evento 5 vezes, geografia de cena confusa e a repetição daquele poema do Dylan Thomas a exaustão.

Enfim, apesar de tudo, 2014 foi um bom ano. Esses são os melhores filmes segundo eu mesmo, organizados por preferencia:

10. Praia do Futuro

09. Snowpiercer

08. O Grande Hotel Budapeste

07. Boyhood

06. Maps to the stars

05. Enemy

04. O Lobo Atrás da Porta

03. O Abutre

Jake Gyllenhaal destrói como um psicopata moderno que torna-se cinegrafista de desastres e crimes para programas de jornalismo sensacionalista. Apesar do maniqueísmo na representação desses programas (existe apenas um personagem que pondera moralmente sobre as imagens de violência), o filme funciona muito bem como reflexão sobre esse voyeurismo mórbido que toma conta da mídia atualmente, além de tratar das expectativas sobre a vida profissional e a visão de sucesso dos millennials.

Lou Bloom (Gyllenhaal) define-se como o produto do “self-esteem movement so popular in schools”, aprende tudo pela internet e comporta-se como se os outros seres humanos não importassem em nada. Cada sorriso ou olhar do ator é decisivo e ameaçador e parece calculado para demonstrar uma humanidade que seu personagem simplesmente não tem.

02. The Babadook

“I’ll wager with you. I’ll make a bet. The more you deny, the stronger I get. You start to change when I get in, The Babadook growing right under your skin. Oh come! Come see what’s underneath!”

Trabalho de estreia de Jennifer Kent (sempre bom ver boas diretoras), esse é o melhor terror que eu vi esse ano (e provavelmente nos últimos anos também). Ela usa o expressionismo alemão para criar um monstro assustador que pode ser ao mesmo tempo o luto, o medo da cria e o ódio pelo próprio filho. O Babadook assusta mais do que pelo clima de tensão calmamente construído, suas metáforas e seus temas são aterrorizantes para qualquer um.

Além do “baba…dooooooook” sussurrado que gela a espinha.

01. Sob a Pele

Além do melhor, esse também foi a maior surpresa do ano para mim. A sinopse “alienigena sexy interpretada por Scarlett Johansson seduz homens para abate-los e alimentar seu povo” não inspira muita confiança, mas a camada superficial esconde um terror sobre incomunicabilidade, sexo e solidão permeado de imagens belas. A sequencia em que duas vitimas da mulher tocam-se e compartilham um momento humano é a mais bonita imagem que o cinema produziu esse ano. Muito se falou da nudez de Scarlett e pouco do modo brilhante como o filme explora a natureza das relações humanas.