Porque tatuei um Buda na perna — Uma reflexão a posteriori.

Buda: minha tatuagem.

A cerca de 8 anos atrás fiz minha primeira tatuagem, ainda estava na Universidade e como o próprio nome indica, eu estava inserido em um contexto universal de conhecimento. Entre leituras filosóficas, históricas, sociológicas e literaturas — quadrinhos também — me encontrei em certo momento lendo sobre a vida de Sidarta Gautama. As ideias desse príncipe distante espacialmente e geograficamente de mim me despertou para uma outra forma de encarar o mundo.

Porém alguns anos mais tarde renunciei ao pensamento budista em prol do materialismo histórico e do racionalismo científico das ciências humanas, mas vez ou outra acabava me deparando com vestígios do pensamento budista dentro das própria ciências humanas— em Heidegger por exemplo. No fim das contas eu tinha um fantasma dentro da máquina.

Hoje, pareço estar traçando os primeiros passos rumo a uma reaproximação pessoal entre a filosofia budista e o pensamento científico ocidental, vestígios que continuavam a brotar por todos os lados são gradativamente pensados sobre a luz da minha já mais “sábia” experiência. A iluminação adquirida pelo estado de Buda — conseguida a cerca de 4000 a.C — se relaciona — ao meu ver — com a aprendizagem adquirida pela luz do conhecimento proposta pelos iluministas do século XVIII. A terceira lei de Newton — princípio da ação e reação — guarda paralelos filosóficos instigantes com a ideia de “Samsara/Karma”, uma vez que a proposta de uma ação que gera uma reação de mesma força e intensidade e sentindo contrário casa de forma bastante fácil com a visão de uma grande “roda da vida” que traz de volta as consequências de nossas ações — aqui deve ser compreender isso não em um sentido metafísico, mas em seu sentido prático. E até mesmo Nietzsche pode ter seus pontos em comum com as propostas budistas, a visão de Nietzsche sobre o sofrimento como forma de ampliar nosso conhecimento e nos fortalecer tem paralelos com a concepção de que vivemos em um mundo onde inevitavelmente vamos sofrer, quanto mais ciência tivermos disso, mais facilmente superaremos a dor.

Enfim, gosto de pensar que hoje conseguir estabelecer um harmonioso casamento entre uma ética moral — inspirada na filosofia budista — e um modelo de pensamento racionalista. O materialismo histórico hoje é interpretado por dispositivos cognitivos que aceitam a existência psicológica de valores éticos e morais que transcendem a minha materialidade e abarcam os demais seres vivos do planeta. Logo estabeleci — de forma própria e portanto passível de erros — uma dialética entre o material e o psicológico pautado na luta por me sentir melhor agindo por um mundo melhor.