Um adágio a Chronos

São 19:52h de uma quarta-feira, há tempos não escrevo devido a falta de tempo, porém hoje entre a preparação de uma aula e outra - naquele lapso de tempo em que se consome café e se traga um cigarro - um “insight” irrompeu na minha mente numa brusca necessidade de se compreender o tempo no mundo de hoje e suas implicações.
Nós nunca produzimos tantos objetos quanto hoje e paralelamente nós nunca estivemos tão ocupados com nossos trabalhos como atualmente, logo não temos tempo para usufruirmos o que produzimos. A extensa jornada de trabalho cotidiana gera um cansaço devido a sua intríseca hiperatividade, essa multitarefada vida que levamos incide em um processo de esvaziamento da contemplação na medida em que ela esvazia também a capacidade de se concentrar em algo devido as múltiplas tarefas. 
Nietzsche afirma em sua obra “O Crepúsculo dos Deuses” que é necessário educadores que ensinem a “ver”, onde o ato de “ver” siginifica acostumar os olhos à serenidade, à paciência, ao paulatino aproximar das coisas, educando os olhos para uma atenção profunda e contemplativa. Esse “ver” proposto por Nietzsche é fundamental no exercício da alteridade, uma vez que somente através da atenção prestada aos outros podemos experimentar o que é “ser” fora de nós mesmos - e também dentro de nós mesmos.
Portanto o tempo torna-se nesta conjuntura um fator importante na formação cidadã e sua ausência acarreta no desmoranemento do espaço público - devido ao desisnteresse ao que tange o interesse coletivo. Desmoronamento esse que pode ser relacionado ao cansaço na medida em que ele nós priva de tempo para a comtemplação do mundo ao redor e é substituido pelo alívio hedonista do consumo e do entreterimento fútil das tvs, etc. 
Talvez, em um futuro não muito distante - logo ali na esquina - a reinvidicação dos trabalhadores - não alienados - será o tempo ocioso…