Surge a indústria dos “Hackathons”.
Um alerta sobre a exploração barata dos intelectos alheios.

Cada vez mais vejo iniciativas de empresas em criar eventos de tecnologia “Hackathons” com o objetivo de aproximar talentos, ideias e soluções que possam evoluir o produto/ serviço que fornecem (AMBEV, IBM, FIESP, Telefonica e entre outras diversas marcas exploraram essa possibilidade e abraçaram de uma maneira coesa) e até ai tudo bem.
Porém, de uns tempos pra cá, vi esse caminho se tornar uma grande oportunidade de exploração de ideias e profissionais, que além de pagar para participar desses eventos, são reféns de regras absurdas que vão desde ceder todos os códigos produzidos sem ônus, até a tomada do direito e exclusividade de 100% ideias ali geradas. Uma verdadeira “cafetinação”.
Hoje recebi a gota d’agua. Uma hackathon promovida por uma empresa de transporte de ônibus, que as cláusulas de participação me deixaram perplexo:
“Todos os materiais de qualquer natureza, criados e/ou fornecidos pelo participante e/ou sua equipe, em razão da participação no evento e todos os direitos intelectuais e/ou autorais a eles relativos pertencerão com exclusividade a EMPRESA, que poderá usá-los, por si ou por terceiros, sob qualquer meio ou forma, a seu exclusivo critério, sem qualquer ônus, restrição ou limitação de qualquer natureza.”
“Ao participar do Hackathon, o participante estará concedendo ao organizador o direito de desenvolver software com base no código-fonte criado durante o evento.”
“Os participantes não poderão comercializar de forma independente da EMPRESA a solução desenvolvida que seja resultado de projeto apresentado no evento.”
A mais absurda:
“Os participantes do hackathon, ao enviarem suas ideias/projetos, automaticamente cederão à EMPRESA, em caráter definitivo, sem quaisquer ônus ou custo, todos os direitos de exploração dos direitos autorais sobre as ideias/projetos enviadas, para qualquer tipo de utilização, inclusive para fins comerciais.”
De hoje (08/06/2016)

Tendo em vista esse cenário que se projeta através de empresas oportunistas, nós como profissionais criativos, empreendedores, desenvolvedores, marketeiros, business e entre outros, temos que estar sempre inteirados dos termos de participação dos eventos, para que posteriormente, não tenhamos que enfrentar dores de cabeças com a exploração intelectual.
Como participante de diversos eventos Hackathon, disponibilizo aqui algumas dicas de cuidados que sempre tomo e que me auxiliam no aceite ou não da participação:
- Leia os termos e regras de participação.
- Descubra a intenção do evento. O que motivou a empresa a fazer? (Criar banco para RH, recolher ideias, marketing e etc.)
- Pesquise sobre a empresa. Utilize sites como lovemondays, reclame aqui e entre outros que possam ajudar a ter uma ideia sobre a real índole da empresa e suas motivações.
- Procure indicações de pessoas ligadas ao evento.
- Conheça os profissionais envolvidos na organização. (Geralmente existe uma equipe de profissionais especializada na produção deste tipo de evento que pode gerar maior segurança ou não da participação.)
- Questione informações duvidosas. Seja com a empresa ou com algum conhecido advogado.
Devemos sempre estar cientes de tudo que envolve a participação nesses eventos para que não sejamos intelectualmente e profissionalmente explorados. A ilusão de que um prêmio de “5mil”, “Viagem para XXX”, “equipamentos” entre outros são um bom pagamento é muito limitada perto da imensa contribuição que se dá através da geração de soluções de problemas. Vamos valorizar nossos conhecimentos e nossas horas de trabalho dedicadas.