E se eu escrevo é para (me) transbordar
Paloma Engelke
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Paloma querida, tudo bem? Nós nos conhecemos, salvo engano, em uma reunião do Letaci, lá na FND, há uns três ou quatro anos; chegamos a nos adicionar no Facebook, e não sei se foi por conta do próprio FB que, abrindo a página do Medium para dar uma explorada neste espaço, como venho fazendo, a página prontamente me indicou o seu texto sobre a arte de esquecer. Gostei tanto que fui procurar mais um nos relacionados e me deparei com este.

Quero dizer que não só me identifico muito com este seu esforço de transbordo e transcendência como realmente admiro a clareza da sua escrita, e o ritmo dela também — ritmo este que torna ainda mais interessante a sua menção à música das teclas. É muito interessante, para mim, ver este todo formado por uma escrita que leva o seu tempo, quando muita informação se obriga a ser sintética e/ou veloz, e a necessidade de transpor um limite. O limite que é imposto a você, a minha namorada, a minha mãe, a minha irmã etc. como mulheres eu não tenho capacidade de definir; mas, considerando que nos conhecemos em uma faculdade de Direito, pelo menos um limite a transpor nós temos em comum. Não sei se você concordaria comigo, mas observo no Direito o cultivo de uma expectativa não só de que nos bastemos nele, mas também de que possamos dar uma boa diminuída em tudo aquilo que lhe é externo e que não lhe ofereça uma ponte. O meu gosto por música e literatura me chamou a atenção para isso, e também venho praticando esses exercícios de transcendência que, como tão bem colocado por você, informam mais o que vem a ser existir do que a própria ideia de imortalidade.

Voltarei à sua página com muito gosto.

Um abraço,

Rodrigo

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