Ano Novo, uma invenção

Dia desses passou pelo meu feed no Facebook uma imagem que “ordenava” a descrição do ano de 2015 em uma única palavra. Usei “inferno”, e não simplesmente pelo calor (o verão não foi dos piores mas não teve inverno, aliás, em 2014 também não). Pois mesmo tendo acontecido algumas coisas boas (como a minha mudança, em janeiro), 2015 foi um ano complicado: considerando que estamos no dia 31 de dezembro e nessa época (entre Natal e Ano Novo) dificilmente acontece algo significativo, tal diagnóstico tem 99,99% de chances de ser o definitivo.

O noticiário político foi estressante: sei que o melhor seria deixá-lo de lado, mas não consigo e certamente continuarei acompanhando-o em 2016; e por conta da política muitas pessoas me decepcionaram bastante (embora não seja de todo negativo descobrir o ódio que se esconde por detrás de “boas aparências”: a mim não enganam mais). Nunca soube se meu salário seria pago em dia (e em duas oportunidades realmente não foi, isso sem falar do 13º). Minha avó esteve muito mal: se recuperou e isso me deixou bastante feliz, mas o estado de saúde dela é inegavelmente pior que no começo do ano. Várias ideias e projetos não foram adiante, apesar de que algumas derrotas chegaram a ser engraçadas: quase fui apresentado a uma pretendente que nada tinha em comum comigo (exceto ser gremista) e ainda era favorável ao impeachment da Dilma; a moça ganhou uma “amostra grátis” do “impitima” (sem nem mesmo “tomar posse”) e acho que após minha desistência quem ficou com ela foi o Aécio. E nem vou falar novamente do inverno.

Mas para não falar só de coisas ruins, 2015 foi o ano em que vi torcida mista em Gre-Nal e, principalmente, o Grêmio vencer por 5 a 0!


Assim foi o período de 365 dias que se encerra logo mais. Isso mesmo: um ano nada mais é do que um período de 365 ou 366 dias (como será 2016). Há muitos séculos a humanidade tem o hábito de fatiar o tempo (aliás, um século é um período de 100 anos), com base no movimento de translação da Terra (ou seja, o “giro em torno do sol”), mas não para soltar fogos ou fazer promessas sob efeito de álcool: com isso fica mais fácil prever as estações do ano — o que é fundamental para quem vive da agricultura e precisa saber qual a época certa para cultivar determinados vegetais.

Mas, a parte das celebrações e das promessas não é totalmente inútil. Toda vez que um ciclo se encerra em nossa vida, nos sentimos convidados à reflexão sobre o que se passou, o que nos leva a pensar no que precisa ser mudado. E fazer isso no final de um ano é tentador, pois a imensa maioria das pessoas se sente impelida a fazer o mesmo por seguir um calendário igual, que assinala a noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro como a passagem de um ciclo para outro.

Logo, se formos ver bem, é apenas uma convenção. E que nos afeta pois se definíssemos nossos marcos temporais em outras datas poderíamos fazer outras avaliações. Me baseando no dia do meu aniversário, por exemplo, o meu “ano 32” (15 de outubro de 2012 a 14 de outubro de 2013) foi espetacular, enquanto o “ano 33” foi algo do tipo “7 a 1” (embora, ironicamente, os sete gols da Alemanha não tenham participado nisso visto que pouca bola dou para a Seleção Brasileira): porém, 2013 como um todo não foi tão bom como até 14 de outubro (em novembro e dezembro simplesmente “desceu a lomba”), e 2014 terminou imensamente melhor do que começou. E considerando que a avaliação sobre determinado período (e a perspectiva para o próximo) é diretamente afetada por nosso estado de espírito ao final dele, isso parecia um bom presságio para 2015, mas… Agora estou aliviado que este ano acaba, mesmo sendo apenas uma convenção.

E não tenho ideia do que será 2016: preferi deixar uma avaliação definitiva de 2015 para mais adiante. Quem sabe visto de longe o bicho seja menos feio do que parece de perto.

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