As definições de vergonha alheia foram atualizadas

Circula no WhatsApp (e foi feita uma captura de tela para ser compartilhada no Facebook) uma “corrente” que “explica” por que as PMs não estão participando da mobilização contra o mosquito Aedes aegypti. Segundo o texto, é porque se a PM matasse mosquitos, a esquerda ficaria “contra a violência policial”, e inclusive surgiriam “comitês em defesa dos direitos dos mosquitos”.

Na boa: é sério que há quem ache graça nisso e acredite a ponto de repassar? Não têm nem um pouquinho de vergonha por concordarem com tamanha asneira?

“Ah, mas é que esses direitos humanos só aparecem para defender bandidos” (sic), dizem muitos. Falam isso por não terem noção do que são direitos humanos: como a própria expressão diz, tratam-se de direitos que todo ser humano tem (ou deve ter). Desde os mais básicos (como a vida) a outros como a liberdade de expressão — o que inclui o direito de falar merda na internet (coisas do tipo “direitos humanos só defendem bandidos”).

Mas, então, por que os militantes pelos direitos humanos não “defendem” os “cidadãos de bem” (detesto essa expressão mais do que o verão) contra a “maldade” dos “bandidos”?

Não é porque os defensores dos direitos humanos são “contra as pessoas honestas” (me pergunto como alguém pode pensar tamanha merda), e sim porque criminosos (ou pessoas que simplesmente foram acusadas) se encontram em uma situação de extrema vulnerabilidade: em geral, temos a tendência a vê-los como párias e mesmo “monstros”, e não como sintomas de uma desordem social (ainda mais em uma sociedade tão desigual como a brasileira), o que para não poucas pessoas “justifica” que se façam as piores barbaridades (afinal, são “bandidos” que põem em risco os “cidadãos de bem”, na tosca visão de mundo que muita gente tem).


Aliás, lembram todas as queixas quanto a prisões de líderes opositores na Venezuela? Segundo o governo venezuelano, eles foram para a cadeia por incitarem protestos violentos. Ou seja, eram “bandidos”, supostamente responsáveis por “incitar baderna”: teriam mesmo feito isso, ou apenas manifestado sua insatisfação com o governo?

Por essa lógica de “direitos humanos para humanos direitos” eles poderiam muito bem ser massacrados. Só que… Os mesmos que deitam falação sobre “defesa de bandidos” no Brasil se levantaram em defesa dos direitos humanos na Venezuela! E estão certos nisso: agora só precisam ser coerentes e não praticar uma defesa seletiva dos direitos humanos, pois eles devem ser respeitados em toda parte.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.