Memórias de eclipses passados

Com direito a um vereador que queria adiar o fenômeno

Domingo foi dia de eclipse solar. Aqui no Brasil foi apenas parcial, mas um dos locais onde o Sol mais foi encoberto pela Lua foi o Rio Grande do Sul, por conta da maior proximidade com o sul da América do Sul — na Patagônia o eclipse foi visível em seu máximo (embora não tenha sido total, mas sim anular, quando um “anel” do Sol fica visível).

O eclipse me trouxe à mente outros dois que lembro bem. O primeiro foi em 30 de junho de 1992, parcial em Porto Alegre mas total no extremo sul do Rio Grande do Sul e também em boa parte do Uruguai. Foi no começo da manhã, e percebi mesmo com o tempo nublado: eu estava na aula e “ficou noite”.

Mas o eclipse mais marcante de todos foi em 3 de novembro de 1994. Além do Sol ter sido mais encoberto em Porto Alegre, aconteceu em um dia de sol e, principalmente, no meio da manhã (por volta das 11 horas), sendo assim bem mais notado. Sem contar que várias cidades brasileiras foram premiadas com a totalidade, como Foz do Iguaçu, Lages e Criciúma.

Estes dois, porém, são apenas os que foram marcantes para mim. Pois eclipses ocorrem há incontáveis anos, e ainda ocorrerão por um tempo no qual a minha existência será apenas um “piscar de olhos”. E um dos mais marcantes no sul do Brasil aconteceu em 12 de novembro de 1966, quando um dos locais privilegiados para observá-lo em sua totalidade foi a praia do Cassino (sim, a “maior praia do mundo”), em Rio Grande, a ponto da NASA lá instalar plataformas para lançar foguetes ao longo do eclipse.

Porém, o eclipse também teve um lado bem, digamos, folclórico. Pois um vereador rio-grandino teve a “genial” ideia de propôr, em regime de urgência, uma lei transferindo o eclipse do sábado (12 de novembro) para o domingo (13), com a “justificativa” de que seria melhor para a população observar o fenômeno. Virou piada imediatamente, a ponto de ser noticiado até mesmo pelo Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro.

Jornal do Brasil, 11 de novembro de 1966

Outro eclipse marcante, embora eu não tenha visto, aconteceu em 11 de agosto de 1999. Visível em várias partes da Europa e do Oriente Médio, também foi associado a uma previsão de “fim do mundo” que, obviamente, não se confirmou.

A propósito, se em 1999 era estapafúrdio falar em “fim do mundo” relacionado a um eclipse, o mesmo não podemos dizer sobre povos mais antigos que não tivessem conhecimentos de astronomia — o Sol “se apagar” assim, “do nada”, provavelmente era algo apavorante e não espetacular como é para nós que sabemos do que se trata.

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