Um alento: começou o outono

Rua Barão do Rio Branco, Ijuí, maio de 2015.

Passei a semana tentando escrever sobre política, mas a sequência de acontecimentos foi tão atordoante que eu não sabia se escrevia com ou sem esperança de dias melhores. (As perspectivas para o país não me parecem boas, mas ao mesmo tempo eu me recuso a perder todas as esperanças.)

Depois de uma semana tão estressante, ao menos um alento: enfim, é outono. Faz parte do passado o verão, que desde guri eu não curto: se quando tinha férias de dois meses ou mais do que isso eu já não gostava, imagina agora que é preciso sair na rua de calça comprida no calorão para ir trabalhar?

Quem me acompanha no Facebook deve achar que passei tranquilo esse verão, visto que poucas vezes reclamei do calor. Só que não: nos meses de janeiro e fevereiro, foram raríssimas as noites em que não precisei do ar condicionado para dormir — enquanto ano passado liguei poucas vezes o aparelho.

Se reclamei pouco, foi por dois motivos: primeiro o óbvio, de que não adiantava nada (vociferar contra o calor não faz a temperatura voltar a níveis humanistas); em segundo lugar, pois o Facebook não é o lugar mais apropriado para buscar solidariedade, visto que muitos adoradores do verão ao invés de irem curtir sua tão amada estação preferem encher o meu saco com odes ao calorão (e sem ser em tom de zoeira, que me faria dar risada) e “conselhos” (que se fossem bons seriam vendidos, como diz o ditado um tanto dinheirista mas com o qual concordo) do tipo “curtir uma piscina” quando sabem que eu quero mesmo é que a temperatura diminua.

Querer me convencer a gostar do verão é tipo defensor do liberalismo econômico tentar fazer com que eu mude de ideia: por mais válidos que sejam seus argumentos, tratam-se de visões de mundo diferentes, pois defendo que o Estado aja para reduzir as desigualdades e induzir o desenvolvimento ao invés de deixar tudo com a “mão invisível do mercado”; assim como prefiro um ambiente aconchegante com vinho, sopa e boas companhias do que praia, piscina, solaço e a badalação que costuma ser associada às altas temperaturas. Ou seja: é perda de tempo me dizer para “curtir o verão”, e eu é que não me estresso mais tentando convencer quem não gosta do frio, pois ganho mais aproveitando tudo o que ele tem de bom.

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