Um propósito para a queda energética do fim de tarde

A transição entre o fim de tarde e o início de noite, coincidindo com a chegada em casa costuma me causar sistematicamente quedas energéticas. De tanto me questionar sobre o por quê disso ocorrer como uma lei acabei achando algumas pistas.

Ora, o ato de estar inibido se caracteriza pela susceptibilidade à condição humana involuntariamente transgressora, o que gera em decorrência disso uma virtualidade perceptiva passiva e ativa, absolutamente. Essa condição orgânica nos é condenada tanto ao chegar em casa como ao pôr do sol. E o encontro de nós mesmos com nossas condições inevitáveis mas igualmente presentes, tão assimiláveis quanto inassimiláveis. É a sustentação do paradoxo da vida. O resultado disso: queremos parar. A consequência disso: não podemos. A energia se volta para os fundamentos do nosso dia, e é aí que descobri que mora o propósito dessa fase do ciclo.

Nesse fluir contraparadoxivo a energia se renova, de forma similar ao que ocorre de forma mais ampla e profunda no sono. Mas precisa ocorrer no nível da consciência. Essa depressão de fim de tarde é como o sono da consciência pura: ela precisa se inverter para se reafirmar.

Mas o detalhe é que ela não pode simplesmente se detritar, isso só faria com que a limpeza não ocorra. Para a limpeza prosperar é necessário o real entendimento das energias fundantes do dia. E isso se dá pelo grau de honestidade tanto com o que foi feito, como com o que foi conduzido até ali naquele momento. Qualquer desvio, há invalidação e detrito. Qualquer inversão plena, o fluxo se regenera e há o revigor do descanso dentro de um certo tempo dali em diante.