Eficiência energética — o que é e por que aplicar nas empresas?

A conta de luz é um documento em comum entre empresas e residências. E ela denuncia uma verdade inegável: Energia tem custo. E não envolve somente recursos humanos e dinheiro, mas também os fatores ambientais e sociais.

Em uma sociedade dependente de energia elétrica da mais simples até a mais complexa atividade, eficiência energética deveria ser assunto universal.

Em termos gerais a eficiência energética se define por aprimorar o consumo de energia, usando menos sem prejudicar o desempenho dos processos para onde essa energia é necessária.

Ainda que levemos em consideração apenas a perspectiva do consumidor da energia, como por exemplo, uma empresa, melhorar seu consumo e evitar o desperdício já é vantajoso pelo efeito direto na conta de energia. Mas essa não é nem de perto a única razão para um empresário implementar medidas de eficiência energética, independente do tamanho da sua empresa.

A seguir, essas razões ficarão mais claras.

O empresário ganha com o investimento

Investir em eficiência energética traz retorno financeiro ao empresário. Esta é a primeira vantagem clara que este nota, visto que não pode utilizar seus recursos de forma leviana.

O tempo pode variar em cada caso para que o investimento retorne em economia no consumo. Porém, após esse período a energia continuará sendo economizada, compensando o investimento.

Vale notar que esse é um investimento que dá retorno independente de reveses. Imagine uma empresa cujos sistemas tenham sido alterados para evitar desperdício, bem como sua iluminação trocada por uma com lâmpadas mais eficientes.

Ainda que ela passe por um período desfavorável nos negócios, continuará precisando manter seu ambiente iluminado e seus computadores ligados para se recuperar. Tendo investido em eficiência energética, mesmo neste período o investimento seguirá dando frutos e o que seria mais uma despesa a estrangular suas finanças agora terá um aperto mais fraco.

Já na ocasião de crescimento, caso o empreendedor mantenha em pauta esse investimento na compra de equipamentos e instalações para novas atividades e setores, estes também lhe custarão menos no consumo. No final, é um investimento de ganhos em ambos os cenários.

Um ponto importante a manter em mente são as linhas de investimento para eficiência energética, eu tratarei melhor do assunto mais abaixo.

Uma vez explicados os ganhos financeiros diretos, como eu havia citado antes, estes não são os únicos.

A economia de energia tem impacto ambiental e social, que por si só são ganhos para todos, mas falarei disso mais a frente. Aqui vou me ater a como isso beneficia ao próprio empresário.

Vivemos em uma sociedade cada dia mais consciente da visão global das coisas, isso é consequência, em parte tanto do acesso à informação e à dispersão dessa informação quanto do próprio avançar da civilização. As pessoas se importam com o meio ambiente, com os povos tradicionais e afins.

Isso acaba refletindo desde nos compradores finais até aos governos, que passam a ter esses mesmos interesses. Desse modo, é visto como positivo que uma empresa se preocupe também. Uma empresa que faça uso inteligente disso, seja expondo certificações ou com outras estratégias de marketing, será vista com melhores olhos por seus contratantes, o que ajuda na retenção de clientes ou obtenção de novos.

Primeiros passos na eficiência energética

Estando claras as vantagens de adotar essas medidas, por onde um empresário deve começar?

O primeiro passo é diagnosticar o consumo de energia, descobrir de onde vem a maior parcela do gasto. De modo geral, climatização e iluminação são duas funcionalidades que se destacam no consumo em qualquer lugar. Mas claro que diferentes negócios podem ter suas peculiaridades.

De acordo com o Procel, por exemplo, dois terços da energia consumida pelo setor industrial no Brasil é utilizada por sistemas motrizes.

Algumas práticas simples para começar um diagnóstico e gestão de consumo:

· Faça um relatório com os itens que consomem energia na sua empresa e alimente o relatório com informações da quantidade de consumo de cada item;

· Resgate suas contas de energia elétrica do último ano, e analise a sazonalidade do seu consumo. Uma boa dica seria analisar dois anos de consumo para se certificar que os padrões se repetem. Por aqui você será capaz que deduzir o que altera seu consumo ao longo do ano;

· Identifique os itens e épocas que gastam mais nas duas análises. Então você poderá procurar soluções para diminuir o consumo nos pontos em que ele está lhe impactando mais.

Além disto, existem diversas empresas que prestam consultoria e serviços para que um empresário dê seus primeiros passos rumo à eficiência energética, entre elas a Energia Eficiente e a MGD são exemplos.

É possível financiar

Ainda que o retorno a médio ou longo prazo ultrapasse o investimento inicial, para alguns empresários pode não parecer vantajoso dispor de recursos financeiros para esse fim. O montante necessário pode não estar ao alcance ou o empresário poderia preferir investir em outros fins que estão à disposição.

Porém, no caso da eficiência energética, existem vários possíveis fundos de investimento de onde o empresário pode financiar parte ou todo o seu programa, os quais estão disponíveis especialmente para este fim. Isso amortece o investimento inicial e permite que o empresário sinta o retorno desse investimento enquanto quita o mesmo.

Tomando aqui alguns exemplos:

· BNDES: O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social possui algumas linhas de crédito ligadas a projetos dessa natureza, entre eles a de Apoio a Projetos de Eficiência Energética — PROESCO;

· Finep: A Financiadora de Estudos e Projetos pode oferecer crédito através do seu programa INOVACRED;

Alguns exemplos regionais:

· Desenvolve SP: Na sua linha de projetos sustentáveis, oferece crédito para projetos de eficiência energética para empresas situadas no Estado de São Paulo;

· AgeRio: A Agência Estadual de Fomento do Rio de Janeiro apoia investimentos que promovem a redução de impactos ambientais;

· FIEE: O Governo do Estado do Ceará criou o Fundo de Incentivo à Eficiência Energética e Geração Distribuída. Foi sancionada a lei que o cria em 13/01/2017 e deve ficar disponível em breve;

· Cemig e BDMG: A Efficientia, subsidiária da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) firmaram acordo de cooperação técnica em dezembro de 2015 que previa alavancar o financiamento a projetos de eficiência energética no Estado. Na página da Efficientia, por exemplo, os serviços oferecidos consideram os aspectos financeiros em seu modelo de negócio.

Impacto ambiental e social

Representação gráfica da Usina Hidroelétrica de Belo Monte.

Toda a forma de gerar energia traz algum impacto, mas eles são diferentes dependendo do método de geração de energia.

No Brasil a principal forma de geração de energia é através das usinas hidroelétricas. Para a instalação destas, faz-se uma barragem, o que inunda uma enorme área. É aqui o principal impacto.

Primeiramente, o impacto ambiental. As áreas alagadas são bruscamente modificadas com a inundação. Os animais que ali vivem, se não forem de ambiente aquático, ou fogem ou morrem, e a vegetação terrestre que é inundada também morre, parte torna-se madeira apodrecendo no fundo do novo lago. Mesmo espécies aquáticas sofrem impacto, e a fauna do lago se torna diferente daquela original ao rio.

Tudo isso envolve em perda não só a esses seres vivos individualmente, mas às suas espécies, e com isso à biodiversidade. Em um país como o Brasil, rico em biodiversidade, isso também significa uma enorme perda de patrimônio genético, visto que espécies ainda não descritas ou pouco estudadas podem deixar de existir em um alagamento provocado por uma hidroelétrica. Lembrando que extinção é perda permanente.

Há também o impacto social. Visto que a barragem usa um rio, sempre há pessoas vivendo na região. Elas têm de recomeçar em outro lugar e isso nem sempre funciona bem, como a própria existência do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) mostra. Há muitos desabrigados.

Entre as pessoas atingidas estão também povos nativos, que têm no rio seu modo de vida. Seus ancestrais estão enterrados nestas terras desde antes de os primeiros europeus pisarem no continente Americano.

Para esses povos é impensável simplesmente ir embora e viver em outro lugar, como mostrou a atitude da índia Tuíra ao erguer seu facão para o presidente da Eletronorte em 1989, caso que ficou famoso na época e levou o Banco Mundial a suspender o financiamento da usina hidroelétrica de Belo Monte, na época chamada de Kararaô. Nos últimos anos, esta mesma usina ganhou autorização para instalação.

Ao usar menos energia, diminuímos a demanda por mais geração, e consequentemente, todos esses impactos.

Agora você já tem motivos para aplicar medidas que melhorem a eficiência energética em sua empresa. Também possui informações de como começar e quem pode lhe ajudar a dar seus primeiros passos.

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