Entenda o que significa, de verdade, sair da zona de conforto

“Quando saímos da zona de conforto, não entramos na zona de desconforto, e sim na zona de aprendizagem.” — Murilo Gun, comediante, empreendedor e palestrante

Quando você sai da sua zona de conforto e resolve experimentar coisas diferentes, desencadeia uma interação entre fatores que fazem as coisas fluírem em alguma direção. Se essa direção é boa ou ruim você só vai saber quando experimentar. Então, você não deve querer ter certezas antes de conferir o que vai acontecer. Deve projetar o que deseja, dominar o seu contexto, assumir o risco e ir viver esse “algo novo” para que possa, de fato, saber de seu potencial. Assuma que não sabe o resultado. Na verdade, não importa tanto se vai dar certo, importa mais o que você vai estar aprendendo. Vá lá e viva a experiência.

Temos muita literatura no mercado sobre características comuns entre empreendedores de sucesso. Uma coisa é fato: todos eles ficam desconfortáveis na zona de conforto. Isso não lhes pertence. Realizar para aprender é um processo contínuo e que se retroalimenta, impactando o modelo mental do indivíduo e, consequentemente, a cultura de suas organizações.

Porém, ao observar a trajetória de grandes marcas líderes absolutas em seus setores que sumiram do mapa apesar de atingirem sucesso, riqueza e liderança de mercado, nos perguntamos: o que aconteceu com elas?

Será que, com tantos analistas de mercado, estudo de tendências e recursos para inovar, elas não perceberam que era preciso mudar? Não é bem assim. Os executivos das grandes empresas percebem — é claro — que estão perdendo mercado, clientes e dinheiro, e tentam consertar as coisas, mas nem sempre tomam a decisão correta. Estão impregnados de padrões mentais e dogmas que os impelem a tentar repetir fórmulas de sucesso do passado, o que Donald Sull, autor do livro “De volta ao Sucesso”, chama de inércia ativa.

Basicamente, ele diz que o apego ao sucesso pode ser uma armadilha para quem precisa se reinventar. Apegar-se a fórmulas de sucesso tende a fazer com que as pessoas se acomodem e percam a perspicácia que caracteriza aqueles que conseguem enxergar mais e mais longe.

Em 2014 vimos a falência da Blockbuster, a maior empresa do mundo no negócio de aluguel de filmes, com 25,5 mil empregados, 8 mil lojas e U$ 500 milhões em fluxo de caixa anual. O processo de decadência começou imperceptível, em 1997, quando Reed Hastings fundou a Netflix e passou a oferecer aluguel de filmes online. Era uma empresa tão inexpressiva que um importante analista de Wall Street disse sobre ela: “…é um inútil pedaço de merda”.

Esta é uma história de Davi e Golias. Em 2010, enquanto a Blockbuster amargava prejuízo de 1 bilhão, a Netflix arrecadou U$116 milhões e foi avaliada em U$13 bilhões. Em 2014, a gigante Blockbuster jogou a toalha, enquanto a sua concorrente alcançava 50 milhões de usuários pagantes em todo o mundo. E porque a gigante não esmagou a formiguinha enquanto podia?

Em 2000, as duas empresas estavam em negociação. A Netflix foi oferecida à Blockbuster por U$50 milhões, mas alguém lá dentro desaconselhou a compra. A cultura foi mais forte que a visão; a inércia ativa, comum nas organizações que não aprendem, causou a miopia que viria a resultar na falência da Blockbuster.

Muitas das grandes empresas de hoje são jovens, e isso sinaliza que algumas das maiores marcas do futuro talvez nem tenham sido criadas ou sejam embrionárias e inexpressivas hoje. Uma certeza que tenho é que elas são ou serão regidas por um outro modelo mental, completamente diferente do que observamos naquelas criadas há 30, 50 anos atrás. Ter consciência da inconstância e ampliar a visão para além da zona de conforto é uma boa maneira de sobreviver e reinventar, sempre que preciso, o seu negócio.

No meu podcast, falo mais sobre o tema. Clica aqui para escutar https://soundcloud.com/rbcast/saia-da-zona-de-conforto

Rodrigo Barros

Empreendedor, Comunicador e Escritor

#versaobeta #handsOn

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