Cadernos dos Veadeiros - IV

Dentro da água gelada da cachoeira, após percorrer algumas centenas de metros debaixo do sol, Clarissa não se contém. A natureza é fo**. Hoje fomos às Cachoeiras de Macaquinhos, a 13 km de Alto Paraíso. Infelizmente, erramos o caminho em razão de férias e Google Maps. 130 km depois, estávamos na estrada de terra que nos levaria às cachoeiras. 21 km de terra leva tempo a ser percorrido. É cada lugar que a Clarissa acha.

Comentários de internet indicavam que o final do percurso de chegada seria desafiante para carros menos potentes. Realmente, foi. A descida foi quase tranquila e a volta foi um pouco mais complicada, mas nada demais. Obviamente, eu me preocupei com a volta desde que chegamos à recepção da cachoeira. Mas isso não comprometeu o passeio.

Fomos recepcionados por um rapaz simpático, mas pouco empolgado, e rumamos para as cachoeiras. A trilha de 2 km é percorrida em 45 minutos com alguma tranquilidade, mas há momentos Indiana Jones — que eu acho desnecessários — para apimentar a coisa toda. As cachoeiras são lindas e têm água geladíssima. Tá aí outra coisa que acho desnecessária, mas tudo bem.

Algo que, até então, tinha chamado nossa atenção eram as placas de "Proibido nudismo". Várias cachoeiras mantêm placas como essas posicionadas em seus locais de acesso. Hoje foi um dia para superar essa questão. Entre as cachoeiras de Macaquinhos, há uma para "banho pelado". A cachoeira para nudistas. Como estávamos apenas com mais 7 pessoas em toda a área das cachoeiras, Clarissa e Antonieta conseguiram nos arrastar até lá. O caminho para a nudez ao ar livre é difícil, como era de se esperar. A descida (e consequente subida na volta) não perdoa. Mergulhamos e, algum tempo depois, a nudez profetizada deu as caras. Foi breve, mas libertador. Não há registros fotográficos do evento.

Voltamos, ainda parando para tomar banho em algumas cachoeiras, até encontrarmos a recepção do local vazia. Pegamos o carro e voltamos para Alto Paraíso, em busca do açaí prometido. Comemos como quem almoçou apenas castanhas em geral e água. Já em casa, banho e atualização sobre a realidade brasileira no computador. Nenhuma grande novidade.

Uma das melhores decisões do dia foi jantar no Jambalaya, o melhor restaurante pelo qual passamos em centenas de quilômetros. Amanhã, Denise, Mark e Cecília aparecerão por aqui. A única certeza é de que haverá Jambalaya amanhã.