Cadernos dos Veadeiros – IX

A promessa de permanecer no território da fazenda Miraflores se confirmou e partimos para uma cachoeira de quase 30 metros a 6 km da casa onde estamos. 5 km podem ser feitos de carro, mas decidimos ir a pé, pois a carona da Fabiana iria demorar um pouco. Se ela nos encontrasse no meio do caminho, pularíamos na caçamba da caminhonete e seguiríamos juntos.

Antes, café-da-manhã às 8h30, que é tarde para uma fazenda, cá entre nós. Um costume paulista que os responsáveis pela fazenda Miraflores ainda não deixaram de lado. O cardápio se repetiu, mas ninguém reclamou. Em seguida, filtro solar, repelente, boné, camiseta com fator de proteção, água, mantimentos, app de contabilização de distância e pé na estrada. A maior parte do trecho percorrido é composta pela estrada aberta, que dividimos com insetos peçonhentos de toda a sorte. Alguns, inclusive, pousaram em nós, causando pequenas reações histéricas compreensíveis. O Cerrado apresentou sua variedade vegetal e até por uma vereda passamos. Ricardo, horas antes, havia sinalizado o caminho com fitas vermelhas amarradas em árvores e não foi nada complicado chegar ao “trecho da subida”. Levamos 1h10 para andar 5,2 km. Mas isso não quer dizer que tenha sido fácil subir. Percorremos mais 850 m de subida em 30 minutos. Pensei ter sido picado por uma abelha, ato violento que não se confirmou. Ju estava já com o rosto vermelho pelo esforço quando chegamos à bela cachoeira. Rapidamente, todos entraram na água gelada. Ficamos por lá tirando fotos e conversando por um bom tempo. Depois, saímos da água para comer. Clarissa e Laura entraram novamente e ainda passaram por mais um momento de emoção quando, na hora de sair, depararam-se com uma aranha no trecho da saída. Caso se pergunte a elas, a aranha terá o dobro do tamanho real. Quando elas, sob minha distante supervisão, tentavam espantar a aranha jogando água, Fabiana chegou – como manda o script – para salvá-las. Disse que aranhas é que nos temem, mas, ao ver a aranha, realmente percebeu que com aquela ali não se brinca. Encaminhou nossas aventureiras para fora do lago e, em seguida, entrou com o grupo que trouxera, entres eles o manhoso bebê Leo, que deu algumas choradinhas protocolares.

Combinamos de voltar a pé e sermos resgatados em meio ao caminho de volta, o que, dessa vez, realmente aconteceu. Antes de passar pela vereda, a Hilux de Fabiana nos alcançou. Decidimos ficar pela fazenda para almoçar e esperamos um tempão por um belo almoço vegetariano. Laura comeu 7 pratos, até onde consegui contar. Tinha milho verde, arroz com brócolis e baru, salada verde, batatas e abóbora assados, salada de cebola com brócolis e mais uma salada de feijão azuki. Estava bom demais mesmo.

Parti para minha missão de finalização da leitura do Dom Quixote, que consegui concluir por volta das 19h30, enquanto as moças brincavam de “perfil dos pobres”, no qual uma pessoa desconhece a própria identidade, estabelecida por outra pessoa, e tenta descobri-la por meio de perguntas cuja resposta é sim ou não.

Não haveria jantar esta noite, mas também não queríamos sair para comer na cidade, devido ao cansaço e logística complicada para sair da fazenda. Então, comemos alguns mantimentos de cachoeira e fomos dormir cedo.

Hoje é o último dia de fazenda e devemos permanecer por aqui, visitando agora a prainha prometida. Menino Leo já acordou e, lentamente, vai acordando a todos com seus sons guturais.

Depois da prainha, planejamos arrumar as coisas e rumar para Alto Paraíso, onde pretendemos reencontrar o restaurante Jambalaya, sensação da última visita à Chapada. Que ele não esteja fechado em razão do Carnaval.