Cadernos dos Veadeiros – X

É com mãos, pernas e pés coçando, picados de insetos, que sento para escrever já em casa. Invariavelmente, o retorno da Chapada dos Veadeiros (e talvez qualquer Chapada) tem a marca na pele que a natureza deixa em seus visitantes. Eu poderia escolher comer logo depois de mais de três horas dirigindo, mas não quero deixar passar lembranças pontuais, então, escrevo. Hoje tomamos o mesmo café de sempre e partimos para a fazenda Veredas, onde a meta era visitar um destino simples, de fácil acesso. Mas o acesso nunca é tão fácil. Pagamos a entrada de uma série de cachoeiras, lado a lado com o pré-adolescente que tanto incomodou Laura e Ju por partilharem o mesmo banheiro na pousada. Saímos na frente para o desafio do dia, deixando a família do menino para trás. Passamos pelo primeiro acesso às cachoeiras, que, por descuido nosso, comprometeu um pouco nossa aventura. Tivéssemos ido por lá, teríamos acessado as cachoeiras com menos esforço, munidos de nosso 4x4. Ao ignorarmos o acesso, tivemos que percorrer 2km de trilha a pé. Mas, aventureiros que somos, tiramos de letra. Chegamos a nosso destino uns 40 minutos depois. A família do pré-adolescente já havia chegado. Engolimos a derrota e nos posicionamos nas frias águas da cachoeira. Então, começou a chover. E chover. Ficamos lá no frio esperando a chuva passar. Até que o clima frio nos forçou a bater em retirada.

Pegamos nossas coisas e voltamos pela trilha sob uma chuva fina: direto à pousada. O plano era almoçar no Jambalaya, em Alto Paraíso. Mas fomos lembrados ao telefone que só abre à noite. Tomamos banho, arrumamos tudo, acertamos as contas com Ricardo e Fabiana e fomos buscar o que comer. Pizzaria da Júlia fechada. Canela da Ema lotada. Fomos parar do PF mais elogiado da cidade: Flor do Cerrado. Tirando as moscas, uma beleza. Deu até pra assistir à reprise do desfile das escolas de samba do Rio. Pé na estrada.

Mais conversas loucas de Laura, relatos literários de minha parte e observações aleatórias de todos. O povo não dirige muito bem pelas estradas, então, é preciso atenção. Também é preciso se manter acordado e minhas listas musicais ajudaram no caminho. Ao fim da viagem, todos cantávamos juntos musicais boas/ruins escolhidas por Clarissa. É bonito cantar assim junto, não importa a música. É uma forma de partilhar algo em comum.

Esse tempo de 4 dias foi bom. Que fique marcado mais uma vez, por muito tempo, pelas lembranças que só a fuga do cotidiano conseguem marcar. Por que, por mais que essas picadas incomodem, daqui a um mês já devem ter passado.