Canadá, vol. IV – Toronto

Sempre que viajamos e ficamos em um local por algum tempo, é comum buscarmos pontos de referência. Normalmente, é um restaurante ou um café ao qual vale a pena voltar. Conhecemos o Black Coffee nesta manhã e Clarissa adorou. Provável ponto de retorno.

Hoje foi feriado do dia do trabalho por essas bandas. Assistimos parte do humilde desfile na Queen Street, de dentro do Black Coffee, logo após eu ser censurado pela atendente ao tentar pegar um muffin do pote com as mãos.

Pegamos o metrô pela primeira vez, na Osgoode Station, rumo à Casa Loma (Dupont Station). Essa casa é mágica. Foi construída por Sir Henry Pallett, um milionário canadense que chegou a ter 1/4 da economia de Toronto nas mãos entre as décadas de 1910 e 20. Para esbanjar e se divertir, o cara construiu um castelo de 98 cômodos, inclusive, com passagens secretas e um túnel que conecta a casa principal (que tem duas torres) com o estábulo e demais anexos. O túnel hoje em dia, além de parte do museu, é usado para escape game.

A história de Pallett é impressionante. De ricaço a quebrado que teve que morar em uma casa que era de um de seus empregados. Ele ganhou muito dinheiro com negócios envolvendo a coroa britânica, mas perdeu tudo com investimentos ruins em imóveis pós-primeira guerra e com impostos. Sua esposa morreu pouco depois deles serem obrigados a se mudar e leiloar seus pertences, de ataque cardíaco.

O tour no museu oferece um equipamento de áudio para contar as histórias dos cômodos e da casa como um todo. A casa já foi usada em diversas cenas de filmes, cujos pôsteres ficam em exposição no subsolo, ao lado do restaurante e lojas de lembranças e vinho. São muitas histórias contidas na casa, que tentaram transformar em hotel sem sucesso logo após a crise da família Pallett.

Entretanto, apesar de muitos anos depois, a casa ainda desperta emoção em seus visitantes, como se pode perceber no comentário de uma das visitantes, sentindo-se, provavelmente, claustrofóbica após andar pelo túnel: “I cannot go back in that tunnel. I cannot go back in that tunnel. I cannot go back in that tunnel. I cannot go back in that tunnel”. Não sabemos se ela voltou pelo túnel, mas esperamos que esteja tudo bem.

Depois desse passeio pela Downton Abbey canadense, ainda demos uma volta pelos jardins de uma casa ao lado, também chamada de museu. Mas não entramos no museu. Fomos almoçar ali por perto em um local que encontramos ao caminhar pela rua.

Muita comida depois, partimos para um dos principais motivos dessa viagem: Clarissa conhecer sua primeira casa. Nascida em Toronto, ela nunca havia voltado. Então, lá fomos nós rumo à Lawrence Station para pegar um ônibus rumo à Lawrence Av. West. Acabamos nos confundindo um pouco com as linhas e fizemos uma volta maior do que o necessário. Mas chegamos.

Infelizmente, não conseguimos acessar o apartamento, porque o interfone é acionado por códigos dos moradores e não dos números dos apartamentos, provavelmente, por uma questão de segurança. De qualquer forma, foi uma experiência legal. A gente cria conexões com lugares e objetos que conferem significado a nossas vidas e nos permitem retornar ao passado de uma forma mais precisa e rica. Mesmo não estando ali décadas atrás, eu fiquei imaginando a vida da família e deu pra viajar um pouco mais.

Voltamos pela mesma linha de ônibus e pela mesma linha de metrô. Conseguimos ter uma ideia melhor da proporção da cidade, que é bastante extensa. Paramos na estação Queen’s Park rumo ao Kensington Market, uma região dentro de China Town mais… artística, digamos assim. Para chegar lá, passamos mais uma vez pelo vasto campus da Toronto University. Os calouros estão chegando e fazem tours orientados por veteranos. Muitos estrangeiros.

Tomamos umas cervejas no Last Temptation e caminhos de volta ao apartamento sub uma chuva que começou fina e foi engrossando.

Jantamos no próprio apartamento para descansar.

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