Patola-de-pés-azuis

Ontem à noite, jantamos em casa. Paulinha fez o jantar: macarronada. O cansaço da viagem bateu forte e ficamos na varanda conversando.

Um por um, o pessoal foi se recolhendo. O céu poderia ter mais estrelas não fossem as luzes do condomínio. De qualquer forma, dá pra viajar bem olhando lá pra cima daqui. Às 23h, já estávamos todos dormindo.

Acordei às 7h e clarissa acordou junto. Fomos caminhar na praia. Corri na frente e encontrei com a Dri, que saíra pra correr mais cedo. Na volta, demos um pulo no mar gelado. O pessoal foi acordando e, de volta à casa, fizemos café da manhã para todos. Canavial de Alvíssaras embalou o café. Depois de debates, entramos em acordo: tomar banho com as tartarugas, a 1,5km de onde estamos. Ao chegar lá, o banho se revelou meio triste, com tartarugas ao lado de um píer sendo alimentadas para ficar por ali. Decidimos dar uma volta de barco, demos um pulo n’água e voltamos à terra.

Então, ainda no píer, nossos integrantes honorários do Ibama identificaram um pássaro indefeso preso em algum tipo de material feito pelo homem. O pássaro estava na água, perto da praia e, em vão, os intrépidos defensores da natureza clamavam por ajuda de alguém. Sem respostas, decidiram agir. Cássio, Paula, Érika e Adriana dirigiram-se decididos à ave. The sea was angry this day, my friends (vide Seinfeld para a referência). Após um início desastrado, Paula – a especialista amadora em aves do grupo – prontificou-se e agarrou o pássaro com as mãos ao redor de seu corpo, prendendo suas asinhas. Assim, ele não se debate e fica paradinho. Fica a dica.

Érika e Cássio agarraram-se ao pedaço de plástico com a voracidade de quem salva vidas. Em segundos, o plástico azul estava destroçado. O pássaro, um jovem exemplar da rara espécie patola-de-pés-azuis (nome científico Sula nebouxii, uma espécie de ave pelecaniforme da família dos atobás que habita ilhas do Pacífico nas costas da América tropical/Wikipédia), estava então liberto das garras nefastas da humanidade. Ele ficou meio atônito e paradinho por um tempo, atraindo os olhares de curiosos. Ainda deu uma bicadinha numa menininha que tentou botar a mão nele, para deixá-la esperta.

Deixamos Filipo (ou Firmino – não há consenso em relação ao nome do pássaro) sozinho para se recompor. Quando voltamos ao mesmo local, horas depois, ele não estava mais lá. Contei para Denise que Firmino está bem vivo e já deve ter salvo 2 outros pássaros com a técnica que aprendeu por meio de nossos habilidosos heróis. Ela se satisfez com a otimista visão.

Ficamos na praia por mais algumas horas tomando cerveja, comendo chips de banana e ceviches variados. Clarissa usou sua camisa de surfista e abalou geral. Depois, rumamos para o restaurante Bambu, onde comemos um arroz de frutos do mar e um tipo de ensopado de peixe bem apimentado. Teve pisco sour também, mas acho que isso já está implícito a esta altura.

Voltamos caminhando pela praia e uma parte do pessoal foi tomar banho de piscina, enquanto a outra ficou se atualizando das novidades do mundo.

No momento, decidimos se ficamos por aqui ou vamos a Mancora, uma cidade próxima. Os efeitos da orgia gastronômica e do Sol na cabeça são inexoráveis. Amanhã, conto como foi.