Os apps vão morrer?

Google ou Apple stores vão quebrar? Duvido muito.

Hoje em dia, cada vez mais, temos serviços integrados em cloud; sejam APIs públicas ou privadas. Tudo isso, se deu com o advento da web 3.0, onde toda informação trafega de maneira semântica, ou seja, para que todos possam se comunicar de maneira mais clara; falar a mesma língua.

As APIs, estão caminhando para a simplificação e unificação de vários serviços, no intuito de tornar isso uma realidade: Instant Apps, do Google, por exemplo, permite que você possa rodar um aplicativo, sem a necessidade de instalação; ou vários serviços que separados, que convergem no mesmo app, como o próprio Google Maps, que possui busca de Ruas, mas também pode encontrar restaurantes, ou o seu ônibus; ou os vários aplicativos que você tem no seu celular que nem sabe, ou nem usa.

Anterior a ela, a web 2.0, nos possibilitou a troca de informações em escalas pequenas, entre os próprios usuários ou escalas globais, com grandes corporações. Com essas ferramentas, passamos muitos anos capturando e inputando dados através dos mais variados canais, como apps, websites, redes sociais, blogs, o que nos deixa as vezes tão bombardeados de informação que se torna quase impossível classificar tudo ou conseguir tomar cada decisão da melhor maneira possível. Precisávamos de algo que foi mais reativo, que pudesse ser mais que semântico; que pudesse ser inteligente.

Tradicionalmente, sistemas, necessitam de uma interface gráfica que, intuitivamente, tentam mostrar aos usuários a sua forma de funcionamento, ensinando como as informações devem ser resgatadas ou informadas, o que torna muito difícil o desenvolvimento de uma solução ubíqua, uma vez que além de existirem vários dispositivos diferentes, cada usuário tem uma forma diferente de utilizar cada um desses dispositivos o que torna o desenvolvimento complexo e a manutenção cara.

Um usuário comum, hoje em dia, tem em média mais de 50 apps instalados no seu smartphone, no entanto, se formos comparar com a frequência de uso dos aplicativos, podemos notar que eles usam no máximo 6 — isso quando é um usuário que realmente utiliza muito smartphones; ou apps ou são aqueles apps descartáveis, que são usados apenas uma vez.

O que seria então capaz de suprir essa necessidade de classificar e reagir mediantes pequenas decisões, sem que fosse necessária a interferência humana a todo momento?

Agentes inteligentes ajudam os sistemas a entenderem melhor os usuários, para melhor servi-los.

Assistentes virtuais, chatterbots, robôs ou bots, são apenas uma forma de classificar os Agentes Inteligentes. Esses, por sua vez, aprendem como os usuários se comportam e descobrem a melhor forma de encontrar a informação e quando utilizá-las. Os agentes, podem servir como uma interface de comunicação mais dinâmica, entre a forma “natural” de comunicação do ser humano e a forma de comunicação procedural das máquinas.

Isso não é algo exclusivamente novo, uma vez que o conceitos de bots (ou robots), já existem desde a década de 1980. Muitos serviços são usados através de agentes inteligentes e nem sabemos, por exemplo, o Gmail, que consegue classificar o que é SPAM ou emails maliciosos, a Wikipedia, usa bots para revisar artigos, meu celular sabe quando eu estou em casa e por isso, o coloca em modo silencioso.

Atualmente existem muitas ferramentas sendo criadas que auxiliam a criação desses Agentes Inteligentes, como as plataformas api.ai, wit.ai ou kitt.ai que implementam algoritmos de PLN (Processamento de Linguagem Natural), por exemplo, ou ferramentas mais simples, de automação para respostas, como ManyChat, ou ChatFuel.

Dessa maneira as empresas podem criar soluções mais simples e mais inteligentes, usando esses agentes, o que possibilita ao usuário tomar decisões mais importantes ou mais simples.


Como o muitos serviços antigos, irá haver uma adaptação. Imagine que em 1980 para termos um equipamento com áudio, tv, gravador de som teríamos de além de gastar um bom dinheiro, precisaríamos de espaço, talvez de vários profissionais com experiência em montagem de som; hoje em dia, isso cabe no bolso, praticamente com a mesma qualidade de profissionais.

Hoje em dia tudo isso cabe no bolso

Acredito que os usuários irão preferir ter um canal único, para gerenciar as micro-tarefas comuns das suas plataformas, e ao mesmo tempo, se comunicar com os prestadores de serviços, diretamente dentro desses canais, de forma que o usuário vai se comunicar apenas com um canal, mais direto, que o conhece e pode direcionar melhor.

Essa transformação não vai ser abrupta; vai ser um processo lento. Sempre que surge algo novo existe o hype do "vou substituir algo", existe também a questão do "eu prefiro do jeito tradicional". Os apps foram uma quebra de paradigma, mas mesmo assim os websites, ainda na sua grande maioria são de fato a fonte de informação mais completa do usuário. Os apps, apenas são formas mais simplificadas de encontrar quase as mesmas coisas coisas que há no website. O grande problema? Informação em excesso.

Com a convergência de grandes websites, serem quebrados em pequenos serviços e as interfaces de comunicação, cada vez menores, fica mais difícil colocar tudo que o usuário quer ou precisa em uma mesma interface. Ou seja, um app não pode comportar todas as funcionalidades de um website por simples falta de espaço.

O que mais simples do que uma pergunta do tipo: "que comprar o produto mais barato", ou "quero fazer a reserva de um quarto"?

Um simples sistema de busca pode encontrar informações a respeito disso. A grande diferença é que o bot, pode trazer informações que você não imagina, mas ele sim. Por exemplo, se você estiver fazendo a reserva de um quarto de hotel para uma viagem de férias, o bot pode sugerir atividades que possam ser realizadas ou sugerir atividades infantis, caso tenha filhos. Tudo isso sem que você mesmo tenha que ir buscar nos mais variados sites ou estabelecimentos que realizam esse tipo de serviço.

O Google comprou recentemente uma empresa chamada Api.ai que é uma AIaaS (Artificial Intelligence as a Service); eles lançaram recenteme o Allo, uma plataforma de chat; a Apple, tem a Siri; o Facebook, comprou a Wit.ai, Oracle, Microsoft; todos os grandes players do mercado estão entrando na era do entendimento das necessidades humanas através de interfaces mais inteligentes.

Será que os apps vão morrer?