O fardo de ser um gênio
Messi fica fora do prêmio de Melhor do Mundo após uma década

Cristiano Ronaldo, Luka Módric e Mohamed Salah são os finalistas para o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA.
Nenhum dos três marcou mais gols em seus clubes do que ele . Nenhum dos três deu mais assistências do que ele. Os 45 gols que lhe concedeu a Chuteira de Ouro da temporada europeia mais 18 assistências em 54 jogos, o título da Copa do Rei e da Liga Espanhola com apenas uma derrota em 38 rodadas pelo Barcelona, não foram suficientes para emplacar Messi entre os finalistas de Melhor do Mundo. E o motivo por mais estranho que possa soar é um: se esperava mais de Messi.
Claro que se Módric ou Salah tivessem os mesmos números de Messi, teríamos milhares de experts bradando que um deles deveriam ser o Bola de Ouro, como alguns já fazem mesmo que o croata tenha participado de menos gols que Léo e o egípcio não tenha conquistado nenhum título na temporada, pois se tratam de dois jogadores de muita qualidade, entretanto ambos não são geniais quanto o argentino e até mesmo Cristiano Ronaldo que concorre ao prêmio contra os outros dois.
O camisa 10 do Barcelona e da Argentina elevou o sarrafo, o que se espera dele não é o mesmo que se espera dos demais, antes de tudo ele tem que competir consigo mesmo e atingir o nível que ele mesmo se colocou, e isto não é tão simples.
Pode soar como um clichê, mas muitas pessoas têm como objetivo serem os melhores naquilo que fazem, ao invés de focar em fazer o seu melhor. E por isto, não percebem que o conceito de ser melhor é subjetivo. Por exemplo, no Brasil dizemos que Pelé é o maior de todos os tempos, na Holanda eles dizem Cruyff, na Argentina falam em Maradona e alguns ousam e escolhem Messi, mas ninguém há de negar que todos esses são gênios.
E assim como todas as outras coisas, a genialidade tem seus prós e contras. Se o argentino se aposentasse hoje estaria no hall entre os maiores, seus lances seriam reprisados em todo mundo e nos encheriam os olhos, saudosos por saber que não presenciaríamos mais isto. Entretanto, enquanto o argentino desfila seu talento nos gramados seus lances geniais serão cobrados, e quando não o fizer, será questionado.
Não queremos saber se Messi sofre com ausência de companheiros de alto nível como Xavi, Neymar, Dani Alves, ele tinha que ser decisivo contra a Roma como Salah foi no Liverpool. Não importa se a Seleção Argentina é uma bagunça há anos, ainda assim era para Léo ser um líder e levar seu país mais além do que realmente podia ir na Copa do Mundo, como fez Módric na Croácia. O camisa 10 do Barcelona era capaz de ter feito mais nesta temporada.
Messi poderia estar entre os três melhores? Sim. Se imaginarmos que na temporada 2008/09 em que venceu pela primeira vez o prêmio de Melhor do Mundo na sua carreira, marcou menos gols e deu menos assistências, isso se comprova. Mas o fato dele não estar entre os finalistas faz justiça aos demais, pois tanto Módric e Salah vão se lembrar de 2018 como um ano glorioso em que atuaram no seu melhor nível enquanto o argentino irá pensar que poderia ter feito algo a mais, esse é o peso de ser Messi, ser bom nem sempre é o suficiente, mesmo que seja mais expressivo que o melhor de outros. Esse é o fardo deser um gênio.
Os números*
Lionel Messi- Disputou 60 jogos. Marcou 45 gols, 18 assistências pelo Barcelona.Na seleção Argentina 4 gols sendo um na Copa do Mundo.
Cristiano Ronaldo- Disputou 51 jogos. Marcou 44 gols, 8 assistências pelo Real Madrid. Na seleção de Portugal: 6 gols sendo 4 deles na Copa do Mundo.
Luka Módric- Disputou 49 jogos. Marcou 2 gols, 8 assistências pelo Real Madrid. Na seleção da Croácia: 2 gols ambos marcados na Copa do Mundo.
Mohamed Salah- Disputou 55 jogos. Marcou 44 gols, 16 assistências pelo Liverpool. Na seleção do Egito: 3 gols sendo 2 deles na Copa do Mundo.
*Dados temporada 2017/18 Transfermarkt e O gol