HUMANS: os robôs nos deixarão mais humanos?

por Rodrigo Cunha


É, eu sou sim um entusiasta da inteligência artificial. Já escrevi a respeito outras vezes por aqui. Mesmo tendo ciência do perigo que ela pode representar para nós, meros mortais, esse assunto segue despertando o meu fascínio, principalmente pelas discussões filosóficas que acaba envolvendo.

A bola da vez é a série Humans, uma parceria do Channel 4 com a Xbox Entertainment Studios, em exibição também pelo canal AMC, que participou da co-produção. Temos aqui um tema que certamente não é novo, mas que promove discussões bastante interessantes que poderemos ter num futuro, talvez, não muito distante como costumava ser.

Na série, robôs sintéticos teriam se tornado tão comuns como são hoje as empregas domésticas. Há milhões deles espalhados mundo afora. Todos possuem visual idêntico a nós, seres humanos, com excessão dos olhos, que mais parecem ser de vidro, sempre em uma cor verde bem vistosa, característica que os identifica facilmente. Como reagiríamos aceitando esses "seres" em nossas casas? Como seria esse convívio?

Caixa de Blu-rays da versão sueca

Esses sintéticos ainda possuem uma movimentação que os entrega como robôs em determinados momentos, além de apresentarem bugs que tornam seu comportamento extremamente bizarro e até incômodo e agonizante para qualquer ser humano.

Acredite: quando eles apresentam defeito, você vai sentir medo. Muito medo. Lembra daquele ED-209 agonizando ao tentar descer escadas no primeiro Robocop, de 1987? Então, pior que aquilo. E a coisa fica ainda pior quando percebe-se que há um grupo de sintéticos que possui consciência. Eles estavam em ambiente controlado mas alguns acabaram escapando. Lembrou de Blade Runner? :)

A série coloca em questão diversos templates de discussão. Um deles está relacionado ao tempo que nós perdemos tendo que cumprir com tarefas rotineiras em nossas casas como passar a roupa, limpar os cômodos, lavar a louça, desfazer as malas e outras atividades mecânicas que nos impedem de fazer realmente o que queremos.

Seria a hora de termos máquinas cuidando disso tudo para que possamos nos tornar mais humanos do que já somos (?), tendo mais tempo para cuidar e amar nossos filhos, esposa, animais de estimação? As máquinas poderiam nos tornar mais humanos? Teríamos mais tempo para contemplar, para sentir mais? Será que não estamos tratando a nós mesmos como máquinas por tempo demais?

Um outro conflito presente está relacionado com o aprendizado das pessoas. Nessa realidade, valeria a pena se especializar demais em um assunto? A série se passa num mundo que está prestes a presenciar a singularidade, ou seja, o ponto onde os robôs ultrapassam os seres humanos em termos de inteligência. Nesse cenário as pessoas começaram a se questionar sobre o real sentido do conhecimento para elas, já que uma máquina sempre será melhor em termos de aprendizado, assimilação e armazenamento. A máquina sempre será melhor.

E quanto a pessoas que começam a apresentar problemas de memória em determinada idade e passam a contar com um robô sintético que passa o dia lembrando dos melhores momentos de sua vida? Há um personagem na série que vive um enorme conflito baseado nessa questão, onde curiosamente o robô torna-se o seu principal elo dele com a vida humana.

Outro destaque é o momento onde um robô passa a ler uma história para entreter uma criança. A criança fica surpresa pela atenção dispensada pelo robô, jogando na cara da mãe que ele faz aquilo de maneira muito mais agradável do que ela, já que a mãe sempre está apressada e cansada após a jornada de trabalho, o que faz com que ela sempre leia a história sem a dedicação que o filho espera.

Se você é fã de Asimov, Humans apresenta referências a ele e uma série de outras discussões. Os pontos que destaquei aqui foram somente baseados no episódio piloto. O template colocado somente no 1º episódio já deixa claro que todos esses temas farão parte dos principais conflitos da trama.

Todos estamos correndo muito atrás de tempo. Ouço com frequência gente querendo comprar tempo. Eu e você, certamente, também queremos saber onde essa iguaria é vendida. Automatizar tarefas rotineiras poderia ser uma saída real para a sociedade onde vivemos? Poderia ser uma maneira de comprar esse tal tempo?

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