Sony X Microsoft: quem "venceu" a E3?

por Rodrigo Cunha


Ah, a E3. Toda vez que ela se aproxima o coração dos gamers de todo o mundo começa a pulsar mais forte com os rumores que começam a surgir dias antes. A expectativa de presenciar momentos memoráveis é sempre grande.

E nesse ano não está sendo diferente. Microsoft e Sony, principais players dessa guerra de colossos, enceraram suas conferências na feira e sobrou muita coisa pra contar, pra ver e, principalmente, pra jogar. Uma pena que a maioria só em 2016.

Eu acompanho a E3 desde 1996, quando rolou a primeira edição da feira. Naquela época era preciso comprar revistas especializadas (SuperGamepower, GamePRO, EGM…) nas bancas pra saber o que tinha acontecido no evento. Quais games, quais acessórios ou até mesmo se consoles haviam sido revelados.

Agora com o live streaming podemos surtar e explodir cabeças junto com todos os gamers do planeta. É uma experiência e tanto acompanhar a feira em real time com o Twitter aberto, vendo todo aquele povo surtando: haters, lovers, todo mundo junto esperando uma série de trailers que nada mais são do que promessas de produtos.

A grandiosidade do evento aumenta ano a ano

E todo ano a E3 deixa impressões. Há aqueles anos onde a feira não traz nada de novo e deixa no ar apenas promessas, como no ano passado — principalmente por conta da transição entre gerações de consoles que estamos vivendo. Developers estão acostumando a trabalhar com novos frameworks e novas engines que disponibilizam novas possibilidades de criação devido ao hardware mais parrudo dos novos consoles. É um processo lento e bastante custoso para as softhouses. Por isso temos visto uma chuva de games remasterizados nas prateleiras.

No entanto, é nítida a evolução entre os games que vimos desde o lançamento do Xone e PS4 e os títulos apresentados na E3 desse ano. O tal generational leap está finalmente começando a ficar mais evidente, pra alegria da Microsoft, da Sony e do povo que joga, principalmente para queles que ainda não viam um grande motivo para fazer o upgrade para a nova geração.

A meu ver, esse foi o evento que faltava para sanar todas as dúvidas com relação as vantagens dos novos consoles. Depois das conferências, acho que aqueles que tinham dúvidas entre adquirir um Xone ou um PS4, agora têm muito mais argumentos para utilizar em sua decisão.

Concorrentes frente a frente

Mas e quem venceu a feira? Essa é a pergunta que surge todo ano. Aparentemente é fácil de responder, principalmente por haver uma grande polarização de fanbase quando o assunto são consoles. Há quem diga que a Microsoft deu o golpe final na Sony. E quem defenda que a Sony humilhou a Microsoft de uma vez por todas. Extremismos a parte, sabe-se que a guerra dos consoles é uma longa jornada e não é uma conferência que irá definir quem venceu. Tá certo que muito do que é apresentado ali será vital na estratégia dessas companhias. Mas entre assistirmos um trailer, nos encantarmos e até o momento de comprar o game na prateleira e finalmente chegar em casa e jogar, há um grande abismo. Alguém lembra de Watch Dogs? Pois é. Mesmo assim, vamos a um breve balanço:

MICROSOFT (keyword: retrocompatibilidade)

O anúncio da retrocompatibilidade pegou todo mundo de surpresa. Mesmo porque não havia vazado nenhum tipo de rumor relacionado. É triste fazer upgrade pra uma nova plataforma e perder todos os games da geração anterior. A Microsoft resolveu esse problema e realizou um sonho existente no coração de todos os gamers. É bem verdade que ainda não deixou claro como vai fazer isso.

Apenas mencionou que está trabalhando duro pra tornar compatível o maior número de games do Xbox 360 no Xone. Sabe-se que os títulos digitais irão funcionar. Mas ainda nada foi falado sobre mídias físicas. Halo 5, da 343, como era previsto, é um dos carros chefe da caixa, juntamente com o novo Forza, que agora finalmente trará as tão desejadas variações climáticas. Gears of War 4 mostrou bastante potencial, mas o trailer não chegou a mostrar o que os fãs da franquia gostariam, ou seja, ver muito mais detalhes. E o pior, só será lançado no final do ano que vem.

Gears of War 4

Recore, desenvolvido pela Armature Studios, mesmo estúdio responsável por Metroid Prime, mostrou potencial no trailer, mas nada de gameplay. Sea of Thieves, da Rare, foi o que mais me despertou o interesse. Aparentemente, bebe bastante na fonte de Assassins Creed: Black Flag, por ser um game de piratas e batalhas navais. Mas mostrou o suficiente pra provar que tem identidade própria, principalmente por ser um projeto multiplayer. The Rise of Tomb Raider mostrou que não será inovador como o game anterior e parece ser quase uma expansão dele, o que não é ruim.

O pacote de games clássicos da Rare também foi de bom tamanho e vai agradar muita gente. Mais no campo de inovação, a Microsoft mostrou Minecraft sendo jogado através do acessório HoloLens, o óculos RV da empresa, e surpreendeu bastante. Se vai pegar é outra história, mas foi bem impressionante ver como a jogabilidade vai funcionar. De resto temos os games multiplataforma.

SONY (keyword: haja coração!)

A Sony protagonizou os momentos mais marcantes da feira, pelo menos na minha opinião. Foi na conferência dela que aconteceu a revelação do aguardadíssimo remake de Final Fantasy VII, o projeto de Shemnue 3 no Kickstarter (que bateu a meta em apenas 9 horas!) e a revelação quase milagrosa de The Last Guardian, game que havia sido anunciado originalmente em 2008 e encontrou várias dificuldades no desenvolvimento até então.

O trailer exibido explodiu cabeças, pois revelou uma jogabilidade bem original entre um animal (seria mesmo um cachorro?) e um ser humano. Sem nos deixar respirar, na sequência foi apresentado outro exclusivo, o ambicioso Horizon Zero Dawn, um dos games mais bonitos da feira, desenvolvido pela Guerrilla Games (mesma da franquia Killzone) que se passa após o apocalipse e mostra o planeta sendo populado por seres humanos e… e… dinossauros mecânicos (é isso mesmo), contando com gráficos absurdamente espetaculares. Dreams, projeto da Media Molecule — produtora de Little Big Planet — revelou algo um tanto difícil de descrever, mesmo após assistir ao trailer várias vezes.

Uncharted 4

Aparentemente ele é baseado na criação de sonhos a base de pintura e modelagem de marionetes, que acabam se transformando em grandes aventuras. Promissor. No Man's Sky, da Hello Games, aguardado desde o ano passado, é um sandbox do "tamaho do universo" onde é possível visitar milhares de planetas criados através de programação procedural. Cada planeta com fauna e flora próprios! Promissor é pouco, cara. Também houve espaço para a revelação de games utilizando o Morpheus, óculos de RV da Sony. Achei interessante mas confesso que os games não me empolgaram, possivelmente por serem jogos projetados para gerar imersão através dos óculos.

Não poderia deixar de falar sobre Star Wars Battlefront, da DICE, que, apesar de multiplataforma, me deixou de queixo caído em termos de realismo. Eu nunca vi algo tão próximo de um filme! Épico. Outro ponto altíssimo da E3. Mas o que eu mais esperava era a revelação da nova gameplay de Uncharted 4. E isso ficou pro final, como uma espécie de "one more thing". E cara, valeu muito a pena. Foram os minutos que eu mais babei na frente do monitor. A Naughty Dog está realmente produzindo um game em escala e qualidade épicas. O trailer inteiro não te deixa respirar e é melhor do que muitos filmes de ação de Hollywood que eu já vi por aí. Serviu pra terminar de consagrar a conferência da Sony.

Star Wars Battlefront

Resumindo, eu senti que a Microsoft apresentou o que todos queriam ver e ainda surpreendeu com a retrocompatibilidade que, sem dúvida alguma, será uma grande divisor de águas no momento da definição de compra de um novo console. Mas foi a Sony que me emocionou. Em uma conferência curta, repleta de apenas games e sem gráficos de números de desempenho de vendas e blablabla pra investidor ver, ela soltou uma bomba atrás da outra. Há muito eu não me sentia tão empolgado com a E3. Obrigado, Sony!

2016 promete ser um grande ano para donos de Xone e PS4. Se o que foi prometido através dos trailers será cumprido já é outro papo. Mas, se pelo menos 50% dos games apresentados na feira forem realmente tudo aquilo, essa terá sido sim uma das melhores feiras dessa indústria que tanto nos emociona e 2016 será um dos melhores anos da indústria em termos de criatividade, assim como foi o inesquecível 2013.

We hope so :)

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