O menino dança.

Embalado, ele balança os braços de encontro ao vento.

Ele dança como se não houvesse amanhã. Como se tivesse nascido ali. Despido de qualquer preconceito.

Nem de seu próprio nome se lembra, quanto mais de sua idade.

Se desfaz em passos dessincronizados e infinitos. Qualquer um poderia dançar como ele.

Com os pés longe do chão e os braços erguidos, ele pula de alegria.

Aqueles que assistem, ficam assustados. Sacam seus celulares e passam a filmá-lo, zombando daquele corpo elétrico em zigue-zague.

Ele não se importa. Continua dançando, frenético e sorridente.

Alguns especulam que aquele garoto está sob efeito de algum alucinógeno que o fez perder o bom senso.

O suor escorria por suas costeletas. Era notável a excitação do menino.

Ele não parava.

Por nada e por ninguém.

Naquele momento, ele era totalmente ignorante. Não se importava com os outros, muito menos com o que pensavam sobre aquela cena.

Ele parou quando a casa fechou. Quando saiu pela porta, todos pararam o que estavam fazendo e deram uma boa olhada naquele garoto louco e sem qualquer noção do ridículo.

Ele foi andando e sua figura foi sumindo por entre a escuridão da madrugada. Não se importou com os olhares tortos que recebera.

Quando já estava longe, ouviu-se um cochicho; “queria dançar como ele”.

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Rodrigo Dall' Acqua

Written by

Crônicas acquáticas.

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