Metade do caminho andado

Rodrigo Leonardo
Jul 30, 2017 · 4 min read

Ontem completei seis meses morando em Joaçaba e apostando em uma nova tentativa profissional. Justamente seis meses em uma semana onde participei de competições, presenciei situações, que me fizeram refletir sobre o caminho que devo tomar profissionalmente. Hoje, seis meses depois, algumas coisas fazem mais sentido pra mim. Já consigo observar um pouco mais do efeito do trabalho que iniciei no dia 1º de fevereiro. Algumas competições, jogos, discussões, ajustes e consigo enxergar melhor como os comportamentos são moldados pelo dia a dia, pela rotina criada, pela tentativa de mudança e, principalmente, pelo tempo gasto, tempo passado, tempo investido em tentar melhorar algo.

Agora munido de mais feedbacks do meu trabalho, feito por colegas que confio, conhecidos que acompanham, e também pela minha própria pessoa, fico satisfeito com o que consegui propor nesse primeiro semestre. E mais importante que tudo isso, a percepção e lembrança de que para as coisas acontecerem, se ajeitarem e evoluírem, precisa de tempo, pois por vezes ainda costumo me comportar como adolescente, tendo pressa nas realizações e desejos de que as coisas aconteçam logo, em um meio onde lido com pessoas, com modos de pensar e agir e que estas variáveis levam tempo para serem assimiladas, praticadas, internalizadas e incorporadas como práticas.

E é o tempo que tem me feito pensar que preciso cada vez me organizar melhor para otimizá-lo em busca dos feitos que almejo. É ele que tem me feito refletir sobre os caminhos que tomei quando olho pra trás, e é também o responsável por me mostrar que mesmo tendo tempo ou não para praticar as coisas como eu gostaria, o que quero pra mim e onde quero chegar pode não acontecer. Pelo menos não da maneira como imaginei, pretendi e almejei.

Tem sido foda lidar com isso. Nesse caminho que escolhi, abri mão de muita coisa. Deixei muita gente importante distante de mim e me ausentei de momentos que são importantes de serem compartilhados. Não que eu me arrependa, mas dá um certo medo, receio de que tudo isso que foi feito possa em algum momento ter sido um desperdício. Não penso isso. Mas dá medo de um dia poder chegar a essa conclusão. Sei que também a fase que vivo é um momento mesmo de incertezas, de saber que pode não acontecer. Mas acredito que o principal é ter a capacidade de se reavaliar, e manter o rumo, o pique, o fôlego e seguir firme em frente sempre pronto para se fazer ajustes. Sabendo quais são as variáveis que posso controlar e não gastar energia me indignando ou me questionando com as que não faço diferença direta para que aconteçam.

Vim para este desafio com uma missão de um ano. Em um ano fazer um bom trabalho e ver como vai ser. Com metade do desafio concluído, percebo que se abriram três frentes: 1. Pavimentar o trabalho por aqui para continuar e para que ele possa ter sequência, ganho de qualidade e perspectiva de futuro; 2. Oportunidades em outros locais que têm aberto pra mim, devido ao fato de eu ter me arriscado a sair da zona de conforto, me acostumado e gostado do desafio de me reinventar e também por estarem vendo o meu trabalho por aqui; 3. Voltar pra casa, mais maduro, com uma história que certamente está me acrescentando muito e preparar minha nova vida em uma cidade em que eu domino e conheço seus prós e contras.

Independente do que for acontecer, preciso lidar melhor com as cobranças internas, com a expectativa que criei lá atrás e com a relação de entender que muitas das coisas que almejo, além de incertas(assim como é o esporte), não dependem exclusivamente de mim. É muito importante saber reconhecer isso para não carregar pesos e tralhas emocionais que não me pertencem. Neste caminho, vejo que estas questões que almejo só podem ser percebidas um tempo mais adiante. Não posso conectar alguns pontos olhando pra frente. Somente olhando pra trás. Logo, preciso continuar em frente, trabalhando, realizando, acreditando que quando for olhar pra trás, os pontos que estarão conectados uns aos outros, farão sentido no que eu quis buscar. Até agora eles fazem sentido pra mim.

É continuar, de olho nas realizações profissionais, mas agora, de maneira mais efetiva, me dando a oportunidade de viver as experiências pessoais. Nem sempre é necessário se afastar das pessoas, se isolar, para realizar. Começo a perceber que isso foi uma boa desculpa que criei pra deixar de viver coisas bacanas na vida pessoal também por diversas vezes. Valeu a pena, mas não preciso abraçar essa causa desta maneira para sempre. É possível e necessário equilibrar. Por isso, ando tentando aproveitar agora o novo mundo em que vivo para continuar com minhas buscas profissionais, que me realizam, mas também me oportunizando poder me aproximar de pessoas novas que estou conhecendo e que considero valer a pena estar junto, dividir momentos, aproximar pensamentos, discutir diferenças, aprender com elas e ir deixando com que o meio possa causar bons impactos na minha vida. É uma questão de escolha, de prática, mas também é uma questão de se permitir viver, acontecer e aprender.

    Rodrigo Leonardo

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