“Longe de mim mesmo eu chorava as distâncias que eu nunca teria vencido se ele não tivesse me levado.” — CANEPPELE, Ismael (Os Famosos e Os Duendes da Morte)

Tive um sonho horrível; acordei suando frio e chorando.
Talvez eu nem devesse estar falando dele pra ti, mas és a única que me entende. 
Sabes quando tu me contas aqueles teus sonhos que são hiper reais pra ti? Tive um hoje.

Talvez só tu entendas o peso dele.

Eu era velho, não exatamente velho, mas aparentava ter a idade do meu pai. 
Eu estava numa pequena cápsula de fuga. Na parede eu anotava há quanto tempo eu estava ali, mas eu já havia me perdido. Junto a datas, riscos, cálculos, as três últimas coisas que eu tinha escrito eram: “Me levem pra casa”, “Me desculpa”, “Eu não deveria ter partido”

Foi ali que eu percebi que aquele sonho se tratava sobre um eu que havia tirado a própria vida e não conseguia sair daquele sentimento.

A cápsula começou a se comprimir, e se encher de água, embora eu estivesse no espaço.

E aquilo, segundo todo um monólogo de alguém que eu não tenho ideia de quem era , eram todos meus erros, cada falha, cada reclamação me sufocando. Sim, como se eu estivesse pagando por tudo.

Foi tudo tão real.

E por um instante eu pude ver como estavam todos na Terra desde que eu parti; desde o dia fatídico até o presente (que eu não fazia ideia de quanto tempo havia se passado)

E todos tinham uma nova vida agora, todos pensavam “Como ele foi injusto, como ele foi egoísta”

Ninguém sentia saudade, ninguém sentia falta, todos tinham raiva.

Acho que eu senti o que aqueles que partem sentem.

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