5 meses depois estou eu aqui relendo esse texto.
Ana Paula Fernandes Ventura
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Acredito que julgamento justo das consequências seja diante do risco dos nossos atos. Eu fiz apostas e quem validou estas apostas não fui eu, foram os resultados que obtive. O julgamento das consequências ali é justo ao >meu< ato, no sentido em que ao ter uma iniciativa eu arrisco e descubro o resultado depois (como você arriscou e foi a consequência que te fez ter o discernimento sobre como lê o texto hoje, como leu, que ainda gosta do texto e da nossa amizade). O julgamento sempre justo é a consequência do seu processo de curar, de tomar a iniciativa de enfrentar os traumas e violências para se reconstruir. Se esse seu processo vai dar certo, se essa aposta vai se valer, vão ser as consequências, não eu ou você, que vão dizer.

Pelo que conheço de ti, você tem uma vontade muitas vezes de exterminar a possibilidade de assumir seus méritos. Dizer que eles podem existir é longe de uma meritocracia absoluta (que ironia você trazer este termo!) onde só eles existem, mas acredito que tanto quanto podemos ser responsabilizados por aquilo que tentamos fazer e traz consequências ruins, podemos nos sentir satisfeitos quando encontramos bons resultados. De qualquer jeito, a gente só sabe se vai ser um ou outro pelo teste, onisciente ninguém é.

Não tenho a ideia de exaltar a justiça enquanto possibilidade, mas muito menos de purificar meus pensamentos de sua potencialidade. Acredito que possa existir justiça nesse lugar da iniciativa pessoal, se tivermos um caráter que desejamos testar e ver como interage com o mundo.

De resto, é uma alegria ter ainda suas leituras, respostas e, agora, sua amizade. Espero ainda conhecer seus pensamentos sobre uma releitura em cinco meses.