Banal Renascimento

Retornei em um dia qualquer de azulado ar e de céu nublado.

Um moribundo pessimista se sentou, suspirou fundo, olhou o vazio e ficou imóvel e solitário por algumas horas. Morreu lá, dando parto complicado a novo alguém. Um recém-nascido de sorriso sincero foi quem levantou.

Não tenho medos a relatar nem qualquer arrependimento. Entendo o processo pelo qual fui soterrado. A morte, tão recente, e a falta de perspectivas e de novos planos após ter anteriormente quitado todos os meus objetivos primários.

Sentia-me velho, gasto, como se aquilo que fosse a mim necessário de se viver já tivesse em absoluto sido resolvido, encerrado. Sentia-me vazio, sem objetivos novos, sem novas perspectivas, novos cantos de meu ser a achar e interpretar. Pensava ter me decifrado, descoberto tudo de mim, do mundo e do que podia retirar de ambos.

Mas uma chama parece ter simplesmente se reacendido em mim. Não explico e nem seria capaz de explicar a razão, mas motivação outra vez me nasce. A excitação, a ansiedade, a curiosidade pelo futuro que antes me parecia desnecessário. Novamente quero correr ao que vem. Novamente me sinto jovem. Outra vez ser eu, apenas eu, é algo que anseio.

Meu passado foi certamente bonito de diversas formas e as trajetórias que percorri me orgulham muito. Mas enquanto estava demais atrelado a isso, enquanto mistifiquei e endeusei meu ontem, esqueci-me de olhar ao amanhã. Meu presente parecia ser um grande inimigo que me afastava cada vez mais dos melhores tempos da minha vida.

Agora faço as pazes com o novo, o recente, e de mãos dadas creio que possamos caminhar para futuros novos. Novos, novos ainda, novos tal ainda sou eu.

Feliz seja tão banal renascimento.