Catarses à venda

Tua vida é fábrica de conteúdo para timelines,
Tua escrita é fetiche sadomasoquista por likes,
Tua poesia é pornografia de espírito
E teu sofrimento é entretenimento.
As lágrimas caem do rosto e se fazem eternas no papel
Como palavras amargas que recompensam seu autor
Com todo o reconhecimento e todo ouro de tolo
Que ganham aqueles suficientemente bobos
Para rasgar a própria alma e mostrar as vísceras
Registrando com sangue de nanquim suas rimas;
Se o bolso está vazio ou se a vontade de fama é louca,
É só enfrentar novos diabos, toda agonia é pouca,
A demanda não cessa por mais versos verdadeiros
E se a fonte de sofrer secar, o escritor perde o apelo;
Então verta lágrimas inéditas,
Queremos ver tudo, escancara mais teu interior,
Encontre e sangre demônios novos,
Purifica e expurga teu íntimo em público
Para aliviar-nos com identificação projetada,
E embriagar-nos da estética de cadáveres textuais;
As palavras vão bem quando a vida vai mal,
Obras-primas não nascem de vidas tranquilas,
Inspiração é sacrifício do amor,
Arte é sublimação da dor.
