Mar

Retirado do Pinterest, disponível aqui.

Então cheguei lá, eu alcancei finalmente a mais suprema das ironias!
A conclusão das palavras todas, após descobri-las frágeis e tolas,
Foi um exaltar aos silêncios que não sou capaz de praticar
Pratica-los-ei? Ou usarei destes versos para romantizar
Tudo aquilo de quieto e belo que eu nunca vivencio?
Eu posso calar de verdade esta torrente das letras?
Posso deixá-las para trás ou o apego é demais?
A morte do ego é um desapegar dos teus dons
À maior liberdade: desbocar fluxo de pensar
E encarar frente a frente esta plenitude total
Do mar, destas águas vindouras, em tantas 
Gotas espalhadas, não há descrição lá que 
Se permita, não há beleza lá que se fale,
Se a palavra aponta sempre só um lado,
Eu mato este arquétipo de rio, de fluxo
Quando chego próximo a esta 
Enchente de alma: e chega! 
Chega! Chega destes ditos!
Prorrogo, enrolo e escrevo
Linhas tão desnecessárias,
Tamanho medo de matar
O verso final, desvincular
A última sílaba, mas rios
Nunca voltam atrás e já
Sinto secar o excesso 
Nas areias, mas eu
Não sou gotas que 
Retornam ao ciclo, 
Sou filete de água 
Que segue, sou
Identidade que 
Encarou o 
Horizonte,
Desaguo
Na praia,
E então,
Infinito,
Sou
Mar