Vice-versa

Não há reta que não seja sinuosa,
 Nem há vazio que plenitude não contenha,
 Não há caminho que não seja perdição,
 Nem há louco que não seja também são;
 Não há ordem que do caos não provenha,

E vice-versa, 
 Pois tudo aquilo que não há, 
 também há.

Não há deuses que não sejam de carne,
 Nem há carnal que o divino não habite,
 Não há bela fruta sem feiúra na semente,
 Nem há bondade que não híbrida à maldade,
 Não há mentira que não seja a verdade,

E vice-versa,
 Pois tudo aquilo que o é,
 também o é ao não ser.