Menos Barbies e Mais Valentes: Mulheres para “Dobrar” o Brasil

Artigo publicado no site Empreendedorismo Rosa em 24/06/2014

Como você foi educada e qual é o seu perfil? Você está mais para uma Barbie (a boneca sempre simpática e arrumada) ou uma Valente (a menina corajosa, aventureira e descabelada do filme da Pixar)?

E como irá educar sua filha (ou filho)? Caso você não tenha uma filha, como você tem educado seu marido ou namorado? Ele também arruma a casa e lava as roupas ou você é mais uma grande mulher “atrás” de um grande homem?

O que acontece em casa também vale para o trabalho, como você tem educado seus colegas e chefes para que todo mundo tenha direitos, deveres e oportunidades iguais de crescer? Mais do que uma questão de postura, estilo de vida ou “luta por direitos”, ser e formar “Valentes” é uma questão de futuro, de oportunidade e desenvolvimento para você, as próximas gerações e para o país.

Sim, a participação da mulher no mercado de trabalho está crescendo (inclusive em cargos de liderança), mas ainda é predominantemente masculino. Homens ocupam 57,7% das ofertas de trabalho e são melhor remunerados. Segundo o IBGE, o rendimento das mulheres continua 28% inferior em relação ao dos homens. E apesar das mulheres estarem no comando de metade dos empreendimentos do Brasil (de cada 100 negócios criados, 49 são de mulheres), o mundo das startups de tecnologia e de negócios inovadores (ou de alto impacto) é essencialmente masculino em mais de 75% dos casos. Por que será? Será que mulheres são menos inovadoras ou não têm aptidão para ciência e tecnologia?

Olhe para o computador que você está usando agora. Você sabia que ele não existiria como o conhecemos se uma mulher chamada Ada Lovelace fosse educada para ser apenas mais uma “Barbie”?

Filha do poeta Lord Byron (que a abandonou quando ela tinha 1 mês de vida), Ada nasceu em 1815 e é considerada e reconhecida como a 1° programadora da história. Foi ela quem escreveu o que hoje se considera o 1° algoritmo para ser interpretado por uma máquina. A mãe de Ada procurou dar-lhe uma educação em matemática e música, e ela foi educada como a nobreza intelectual da época e através de tutores pessoais.

Como uma “Valente”, Ada manifestou desde cedo uma enorme aptidão para a Matemática, inventando e desenvolvendo uma série de conceitos e descobertas ao longo de sua curta vida, ela faleceu com 37 anos em 1853. Em 1953, cem anos depois da sua morte, seu projeto e notas entraram para história como o 1° computador e software da história, respectivamente. Em 1980, o Departamento de Defesa dos EUA registrou a linguagem de programação “Ada” em sua homenagem.

Assim como Ada, outras mulheres como as “Top Secret Rosies” e Grace Murray Hopper foram cruciais para o desenvolvimento da computação.

No Brasil, uma mulher foi crucial para o desenvolvimento do Pro-Álcool e por tornar o país num dos maiores produtores de soja no mundo. Nascida em 1924, Johanna Döbereiner tornou-se uma das agrônomas de maior influência no país e foi considerada a mulher brasileira mais citada pela comunidade científica mundial, e a sétima em se considerando todos os cientistas do país. Seus estudos da fixação biológica de nitrogênio por bactérias e o trabalho que desenvolveu na Embrapa conseguiram produzir um enorme resultado para a agricultura brasileira.

Pouco conhecida no Brasil, mas respeitada no mundo inteiro, Johanna assina mais de 500 trabalhos científicos e foi indicada ao Prêmio Nobel de Química em 1997. Apesar de receber convites para trabalhar no exterior, Johana nunca quis deixar o que considerava o seu país.

O que quero propor como reflexão e destacar com estes casos é que investir nas mulheres não é apenas uma questão de injustiça ou luta por direitos, mas uma questão de oportunidade, crescimento e desenvolvimento do país. Quantas Adas, Johannas foram ou estão sendo desperdiçados nas empresas, governos, ONGs e universidades do Brasil?

Quantos talentos, riquezas e avanços deixaram e deixam de ser gerados por uma cultura em que apenas meninos são incentivados a brincar de cientistas e soldados enquanto as mulheres brincam de panelas e casinha? Ou por que sempre as “princesas” frágeis e vulneráveis das histórias são sequestradas para que Super Marios e tantos outros heróis masculinos sejam os únicos aptos a resgatá-las?

Faltam mais “Valentes” e “Meninas Superpoderosas”! Enquanto as mulheres não brincarem de empresárias, guerreiras, aventureiras, heroínas e cientistas e/ou serem incentivadas a resolver seus próprios problemas, pouca coisa irá mudar.

Lutar e denunciar injustiças sim, mas ao mesmo tempo ocupar espaços, criar programas de formação e investimento, assim como fomentar e disseminar novos símbolos e exemplos que possam influenciar e mobilizar a cultura, a educação e a sociedade.

E que fique claro que criar as condições para liberar este potencial (e aproveitar esta oportunidade) não é (nem deve ser) papel exclusivo do governo. Mas de mães e pais, homens e mulheres, colegas, gerentes e diretorias de empresas que devem evoluir em suas práticas, concepções e modelos mentais.

É papel de todas e todos fazer com que as mulheres realizem o seu potencial e possamos assim dobrar o Brasil! Em frente, “Valentes”!

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